[BARULHO FORTE DE ALGUMA COISA CAINDO]
BABICA: AAAAAAAAH!
BÁRBARA: Babica!
BABICA: Bárbara! Que susto!
BÁRBARA: Foi só uma caixa que caiu!
BABICA: “Só uma caixa”? Meu coração quase saiu correndo sem mim!
BÁRBARA: Ahahahahaha! E além do coração acelerado, o que aconteceu?
BABICA: Eu dei um pulo, fiquei toda dura, abri os olhos…
BÁRBARA: Você decidiu fazer tudo isso?
BABICA: Claro que não! Nem deu tempo de decidir.
BÁRBARA: Pois esse susto pode nos ajudar a entender uma coisa interessante.
BABICA: Que caixas são perigosas?
BÁRBARA: A diferença entre emoção e sentimento.
BABICA: Ué… não é a mesma coisa?
BÁRBARA: Muita gente usa as duas palavras como se fossem iguais. Mas existe uma diferença que pode nos ajudar a entender melhor o que acontece dentro da gente.
BABICA: Então explica.
BÁRBARA: Vamos explicar juntas.
BABICA: Ebaaaaaaaaaaaaaaaa. Eu sou a Babica, o avatar da Bárbara que vive dentro do celular dela.
BÁRBARA: E eu sou a Bárbara Stock.
BABICA: Somos as apresentadoras do Podcast Café Com Leite…
BÁRBARA: Um podcast para famílias com crianças inteligentes…
BABICA: …e pais que se importam!
BÁRBARA: Vamos ao episódio de hoje?
BABICA: Vamoooooossss! Mas antes…
– Oi, Bárbara, eu gosto muito de ouvir o Café com Leite. O episódio favorito é sobre os irmãos.
– Você não falou seu nome.
– Meu nome é Ana.
– Ana o quê?
– Ana Francisca.
– Eu sou o Joaquim, o pai dela, e ele é o Benjamin. E a gente canta como? Hoje tem café com leite pra criança inteligente. Hoje tem. Hoje tem.
Vai, canta, beija. Fala.
BABICA: Ahahahah Ana, Benjamin e Joaquim! Outra vez um pai com dois filhos ouvindo o Café Com Leite!
BÁRBARA: Muito bem! E todo mundo cantando! Um beijão pra vocês!
BABICA: Um beijão para os três, que ganharam uma camiseta do Café Com Leite cada um! Entrem em contato conosco para combinar o envio!
BÁRBARA: E você que também gosta do Café Com Leite pode mandar seu depoimento para o nosso WhatsApp: 11 91567-0602.
BABICA: Se sua mensagem for escolhida, vamos colocá-la num próximo episódio e você pode ganhar uma camiseta muito legal!
BÁRBARA: Vamos voltar para a caixa.
BABICA: De novo?
BÁRBARA: Quando ela caiu, seu corpo reagiu antes de você entender o que tinha acontecido.
BABICA: Meu coração disparou.
BÁRBARA: Você deu um pulo.
BABICA: Fiquei assustada.
BÁRBARA: Essa reação rápida do cérebro e do corpo é o que chamamos de e-mo-ção.
BABICA: Então emoção é o corpo fazendo alguma coisa?
BÁRBARA: O corpo e o cérebro juntos. Quando acontece algo importante, eles podem mudar sua respiração, seus batimentos, seus músculos, sua atenção.
BABICA: É por isso que sinto o coração disparar?
BÁRBARA: Sim!
BABICA: E o sentimento?
BÁRBARA: O sentimento aparece quando você percebe essa sensação e consegue reconhecer o que está acontecendo dentro de você.
BABICA: “Meu coração disparou porque estou com medo”.
BÁRBARA: Exatamente.
BABICA: Então primeiro a emoção faz meu corpo gritar “ALERTA!” e depois o sentimento me faz entender: “Ah, isso é medo”.
BÁRBARA: Essa é uma maneira simples de compreender, Babica. Na vida real, tudo acontece muito misturado e muito rápido, mas essa diferença ajuda bastante.
BABICA: Emoção é a reação. Sentimento é quando eu percebo e dou um nome para aquilo.
BÁRBARA: Muito bem.
BABICA: Então temos medo, raiva, alegria…
BÁRBARA: Tristeza, surpresa…
BABICA: Nojo?
BÁRBARA: Também.
BABICA: Tipo quando colocam uva-passa no arroz.
BÁRBARA: Babica!
BABICA: Estou colaborando com exemplos.
BÁRBARA: Ahahahahaha!
BABICA: Mas, Bárbara, para que servem as emoções?
BÁRBARA: Elas ajudam nosso organismo a reagir ao que está acontecendo, Babica. Imagine que um cachorro enorme venha correndo na sua direção.
BABICA: Aiiiiiii…. Já senti medo!
BÁRBARA: Seu coração acelera, sua atenção vai para o cachorro e seu corpo se prepara para agir.
BABICA: Para correr.
BÁRBARA: Talvez. O medo pode ajudar você a perceber um perigo.
BABICA: Então medo não é uma coisa ruim?
BÁRBARA: Não necessariamente. Ele pode proteger você.
BABICA: E a raiva?
BÁRBARA: Pode aparecer quando alguma coisa parece injusta, ameaçadora ou errada.
BABICA: Tipo alguém pegar meu brinquedo sem pedir.
BÁRBARA: Exatamente.
BABICA: Então fico com raiva.
BÁRBARA: Pode ficar.
BABICA: E grito com a pessoa.
BÁRBARA: Aí já é outra coisa.
BABICA: Como assim?
BÁRBARA: Sentir raiva é uma coisa. O que você faz com a raiva é outra.
BABICA: Ah…
BÁRBARA: Você pode sentir muita raiva e mesmo assim escolher não bater, não xingar e não quebrar nada.
BABICA: Então eu não escolho sempre a emoção que aparece…
BÁRBARA: Exatamente.
BABICA: … mas posso escolher melhor o que faço depois.
BÁRBARA: Aí está uma das coisas mais importantes sobre emoções.
BABICA: Mas às vezes o sentimento parece tão verdadeiro que a gente acha que sabe exatamente o que aconteceu.
BÁRBARA: E aí podemos nos enganar.
BABICA: Como?
BÁRBARA: Imagine que sua melhor amiga passe por você na escola e não diga bom dia.
BABICA: Que desaforo!
BÁRBARA: Olha aí.
BABICA: O quê?
BÁRBARA: Eu só disse que ela passou sem falar com você.
BABICA: Porque resolveu me ignorar.
BÁRBARA: Como você sabe que ela resolveu te ignorar?
BABICA: Bom… não sei… eu acho…
BÁRBARA: Talvez ela não tenha visto você. Talvez estivesse distraída. Talvez estivesse preocupada com alguma coisa.
BABICA: Ou talvez estivesse mesmo brava comigo.
BÁRBARA: Pode ser também. O problema é que você ainda não sabe.
BABICA: Mas eu posso ficar triste mesmo assim.
BÁRBARA: Pode. E essa tristeza é verdadeira. Só que a explicação que sua cabeça encontrou para ela pode estar errada.
BABICA: Espera aí… gostei disso.
BÁRBARA: Do quê?
BABICA: Eu posso estar sentindo uma coisa de verdade e, mesmo assim, estar entendendo errado o que aconteceu.
BÁRBARA: Exatamente.
BABICA: Então sentir não é prova.
BÁRBARA: Como assim?
BABICA: Se estou com medo, isso prova que estou com medo. Não prova que existe perigo.
BÁRBARA: Muito bom.
BABICA: Se estou com raiva, prova que estou com raiva. Não prova que a outra pessoa fez aquilo de propósito.
BÁRBARA: Perfeito.
BABICA: Nossa cabeça gosta de completar a história.
BÁRBARA: Gosta. E nem sempre tem todas as informações.
BABICA: Então o que eu faço quando vem uma emoção forte?
BÁRBARA: Primeiro, perceba que ela chegou.
BABICA: Tipo: “Opa, estou com raiva”.
BÁRBARA: Isso. Dar nome ao que você está sentindo já ajuda.
BABICA: Depois?
BÁRBARA: Observe seu corpo. Seu coração acelerou? Sua barriga gelou? Sua respiração ficou rápida?
BABICA: E aí eu mando tudo parar.
BÁRBARA: Não funciona bem assim. Mas você pode respirar, esperar um pouco e evitar agir no impulso.
BABICA: Impulso é quando faço antes de pensar?
BÁRBARA: Exatamente.
BABICA: E depois eu pergunto o que realmente aconteceu.
BÁRBARA: Muito bem.
BABICA: E o que minha cabeça está imaginando.
BÁRBARA: Melhor ainda.
BABICA: Então é tipo ser detetive de mim mesma.
BÁRBARA: Gostei disso! Detetive de si mesma!
BABICA: Primeiro descubro: “O que estou sentindo?”
BÁRBARA: Depois: “O que aconteceu de verdade?”
BABICA: E depois: “O que eu vou fazer?”
BÁRBARA: Exatamente.
BABICA: Isso funciona com a tristeza também?
BÁRBARA: Funciona. Você pode perceber que está triste, tentar entender por quê e conversar com alguém.
BABICA: E com medo?
BÁRBARA: Também. Às vezes o medo está mostrando um perigo verdadeiro. Outras vezes, estamos imaginando um perigo que não existe.
BABICA: E como eu descubro?
BÁRBARA: Observando, pensando e, quando precisar, pedindo ajuda.
BABICA: Para quem?
BÁRBARA: Seus pais, um professor, alguém da família ou outro adulto em quem você confie.
BABICA: Mesmo se eu achar que o problema é bobo?
BÁRBARA: Se está incomodando você, vale conversar.
BABICA: Acho que eu estava entendendo tudo errado.
BÁRBARA: O quê?
BABICA: Eu achava que aprender a lidar com emoções era parar de sentir medo, raiva ou tristeza.
BÁRBARA: E agora?
BABICA: Agora acho que é outra coisa.
BÁRBARA: O quê?
BABICA: É perceber o que estou sentindo, entender o que aconteceu e não deixar a emoção decidir tudo por mim.
BÁRBARA: Muito bem.
BABICA: Posso sentir raiva e não xingar, brigar ou agredir ninguém.
BÁRBARA: Pode.
BABICA: Posso sentir medo e ainda fazer uma coisa importante.
BÁRBARA: Pode.
BABICA: Posso ficar triste e pedir ajuda.
BÁRBARA: Claro.
BABICA: Então emoção não é inimiga.
BÁRBARA: Não. É uma parte de nós.
BABICA: Só não pode assumir o controle, né? Assumir o volante!
BÁRBARA: Isso mesmo! Gostei dessa imagem: assumir o volante!
BABICA: Eu também. As emoções podem viajar no carro.
BÁRBARA: Podem.
BABICA: Mas quem dirige sou eu.
BÁRBARA: Quando você aprende a lidar com elas, cada vez mais a direção é você quem dá.
[BARULHO FORTE DA CAIXA CAINDO NOVAMENTE]
BABICA: AAAAAAAAH!
BÁRBARA: Babica!
BABICA: Meu coração acelerou!
BÁRBARA: Emoção.
BABICA: Estou assustada!
BÁRBARA: Sentimento.
BABICA: Minha cabeça está dizendo que você derrubou essa caixa de propósito.
BÁRBARA: E agora?
BABICA: Vou investigar os fatos.
BÁRBARA: Muito bem.
BABICA: Bárbara, foi você?
BÁRBARA: Foi.
BABICA: EU SABIA!
BÁRBARA: Babica!
BABICA: Ué! Desta vez o sentimento e a investigação chegaram à mesma conclusão.
BÁRBARA: Ficou com raiva?
BABICA: Um pouquinho…
BÁRBARA: E o que você vai fazer com a raiva?
BABICA: Respirar…
BÁRBARA: Muito bem.
BABICA: Pensar…
BÁRBARA: Excelente.
BABICA: E esconder essa caixa para você nunca mais fazer isso.
BÁRBARA: Aí eu concordo.
BABICA: Estamos evoluindo.
AS DUAS: Ahahahahaha!
BÁRBARA: De onde veio este episódio tem muito mais!
BABICA: Visite podcastcafecomleite.com.br para saber mais!
BÁRBARA: Café Com Leite! O podcast para famílias com crianças inteligentes…
BABICA: …e pais que se importam!
AS DUAS: Tchaaaaaaaaauuuuu!
