BÁRBARA: Babica, se eu te desse uma moeda e dissesse que você pode fazer um pedido, o que pediria?
BABICA: Só um?
BÁRBARA: Só um.
BABICA: Então tenho que pensar direito.
BÁRBARA: Sabe que existe um lugar onde milhares de pessoas fazem isso todos os dias? Pegam uma moeda, ficam de costas, jogam por cima do ombro e fazem um desejo?
BABICA: Uma máquina de desejos?
BÁRBARA: Uma fonte. A Fontana di Trevi, em Roma.
BABICA: Aquela enorme, cheia de estátuas e gente tirando foto?
BÁRBARA: Essa mesma! Eu sou a Bárbara Stock…
BABICA: E eu sou a Babica, o avatar da Bárbara que vive dentro do celular dela.
BÁRBARA: Somos as apresentadoras do Podcast Café Com Leite.
BABICA: Um podcast para famílias com crianças inteligentes…
BÁRBARA: …e pais que se importam!
BABICA: Vamos ao episódio de hoje? Mas antes…
Oi, Bárbara. Oi, Bábrica. Meu nome é Antonela, eu tenho 7 anos. Eu amo assistir café com leite no carro com meu pai, minha mãe e minha irmã. A gente ama, ama, ama assistir café com leite. Eu assisto todo dia pra ir pra escola, passear e eu gosto muito mesmo. Tchau!
Oi, Bárbara! Oi, Babica! Eu sou a irmã gêmea de Antonella. Tenho sete anos, meu nome é Monalisa. E eu amo assistir seus episódios. Eu assisto todos os dias no carro com meu pai e minha mãe. Beijo!
Oi, Barbara. Oi, babica. Bom dia. Eu sou o Tasso, pai da Antonella e Mona Lisa, das gêmeas. Um dos episódios que a gente mais gosta de ouvir de vocês foi o do A Fábria dos Dois Lobos, né? Muito legal. E um tempo depois as meninas estavam repetindo, ou seja, elas entenderam muito bem. E é muito legal isso. É pra criança inteligente mesmo e pais que se importam. Um abraço.
BABICA: Que legaaaaal! Antonela, Monalisa e Tasso, !! Um nome mais legal que o outro! E ouvindo juntos o nosso podcast!
BÁRBARA: Que legal!!! Antonella é um nome tipicamente italiano, diminutivo de Antonia. Monalisa deriva de Monna Lisa, expressão italiana que significa “Senhora Lisa”, eternizada por Leonardo da Vinci. Tasso é um sobrenome italiano, também usado como nome próprio, associado ao poeta Torquato Tasso.
E o programa de hoje se passa na Italia! UM beijão pra vocês!
BABICA: vamos mandar uma camiseta para cada uma de vocês, viu? Assim também ouvem o episódio uniformizados, ahahahahahah.
BÁRBARA: Ahahahahaha, isso mesmo! Vamos mandar uma camiseta do Café Com Leite para cada uma deles. E você que também gosta do nosso Café Com Leite, mande seu depoimento para o whatsapp 11915670602.
BABICA: Se sua mensagem for escolhida, vamos publicá-la num próximo episódio e você ganhará uma camiseta muito legal!
BÁRBARA: a Fontana de Trevi parece ocupar a fachada inteira de um palácio, com colunas, esculturas e água por todos os lados. Mas a história dela começa antes de tudo isso, com a água. E precisamos voltar quase 2000 anos.
BABICA: Lá vem romano…
BÁRBARA: No ano 19 antes de Cristo, durante o governo do imperador Augusto, estima-se que Roma tivesse entre 750 mil e 1 milhão de habitantes, sendo uma das maiores cidades do mundo antigo. E precisava muito de água.
BABICA: Não adianta ter império e ficar com sede.
BÁRBARA: Exatamente. Era preciso buscar água limpa fora da cidade e trazê-la por quilômetros.
BABICA: E como é que eles fizeram?
BÁRBARA: Com aquedutos.
Babica: Aquedutos?
Bárbara: Sim, aquedutos. Os romanos construíam sistemas que conduziam água por longas distâncias, em canais subterrâneos ou sobre aqueles arcos enormes que aparecem nas fotografias.
BABICA: E sem bomba?
BÁRBARA: Sem bombas. Não existia eletricidade nem motores naquela época.
Babica: Ué? E como é que eles faziam?
Bárbara: Eles eram muito engenhosos. Os engenheiros calculavam uma pequena inclinação no canal e a força da gravidade fazia o resto.
BABICA: Gravidade? A mesma força que faz as coisas caírem?
BÁRBARA: Exatamente. A gravidade puxa tudo em direção ao chão. Então, se você coloca água num caminho que vai descendo bem devagar, ela escorre sozinha.
BABICA: Como água numa calçada inclinada?
BÁRBARA: Isso. Os romanos construíam os aquedutos com uma inclinação muito pequena, quase imperceptível. A água ia descendo aos poucos, quilômetro depois de quilômetro.
BABICA: Então eles não empurravam a água.
BÁRBARA: Não. Eles construíam o caminho certo e deixavam a gravidade fazer o resto.
BABICA: Esses romanos eram espertos.
BÁRBARA: Um desses aquedutos foi construído por ordem de Marco Agripa, um homem importante de Roma e aliado do imperador Augusto. Recebeu o nome de Aqua Virgo, ou Água Virgem.
BABICA: Por quê?
BÁRBARA: Existe uma lenda segundo a qual soldados romanos procuravam água quando uma jovem mostrou a eles onde havia uma nascente.
BABICA: Uma menina encontrou a água?
BÁRBARA: Segundo a tradição, sim. E essa história ficou tão ligada ao aqueduto que, muitos séculos depois, colocaram uma representação dela na própria Fontana di Trevi.
BABICA: Então as esculturas na fonte contam histórias?
BÁRBARA: Contam. Monumentos antigos muitas vezes funcionam como livros feitos de pedra, Babica. As figuras mostram acontecimentos, personagens e ideias. Quem conhece a história consegue “ler” aquilo.
BABICA: E de onde vem esse nome Fontana di Trevi?
BÁRBARA: Trevi provavelmente quer dizer o lugar onde três caminhos se encontram. E foi justamente ali que a água de um antigo aqueduto romano ganhou uma das fontes mais famosas do mundo.
BABICA: Então essa fonte tem dois mil anos?
BÁRBARA: A história da água tem. A fonte que vemos hoje começou a ser construída em 1732.
BABICA: Bem mais nova.
BÁRBARA: O papa Clemente 12 organizou uma competição entre arquitetos para escolher um novo projeto.
BABICA: Concurso de fonte?
BÁRBARA: Concurso de arquitetura.
BABICA: Eu faria um tobogã.
BÁRBARA: Ainda bem que você não participou.
BABICA: Ahahahahhaha
BÁRBARA: O projeto escolhido foi o de Nicola Salvi. A fonte tem cerca de 26 metros de altura e quase 50 de largura e está integrada à fachada do Palazzo Poli. Arquitetura, escultura e água parecem uma coisa só.
BABICA: Parece um teatro.
BÁRBARA: É o espírito barroco: movimento, drama e surpresa.
BABICA: E quem é aquele homem enorme no meio?
BÁRBARA: Ele representa Oceano, uma figura mitológica ligada às grandes águas. Está sobre uma carruagem em forma de concha, puxada por dois cavalos marinhos e conduzida por tritões.
BABICA: Tritões?
BÁRBARA: Seres da mitologia ligados ao mar, Babica. E repare nos cavalos. Um é calmo. O outro parece agitado, difícil de controlar.
BABICA: Por quê?
BÁRBARA: Eles costumam ser interpretados como as duas naturezas da água. Ela pode ser tranquila como um lago ou violenta como uma tempestade.
BABICA: Então os cavalos são uma ideia?
BÁRBARA: Exatamente. A arte consegue dar forma a uma ideia. Na fonte também aparecem figuras ligadas à abundância e à saúde, porque sem água não existe cidade.
BABICA: E hoje a gente abre a torneira e nem pensa nisso.
BÁRBARA: Pois é. A tecnologia mudou, a necessidade não.
BABICA: E Nicola Salvi terminou tudo?
BÁRBARA: Não. Ele morreu em 1751, antes de ver a fonte pronta.
BABICA: Puxa…
BÁRBARA: Outros continuaram o trabalho, entre eles Giuseppe Pannini. A fonte só foi concluída em 1762.
BABICA: Trinta anos para fazer uma fonte?
BÁRBARA: Mais ou menos.
BABICA: Imagina: “Terminou a fonte?”
BÁRBARA: “Não.”
BABICA: Dez anos depois: “E agora?”
BÁRBARA: “Também não.”
BABICA: Ah, eu não aguentaria, Bárbara.
BÁRBARA: E tem uma coisa curiosa: muita gente que trabalhava nessas obras sabia que talvez nem estivesse viva quando elas ficassem prontas.
BABICA: Trabalhavam numa coisa que ia durar mais do que elas.
BÁRBARA: Exatamente. E hoje, séculos depois, milhões de pessoas olham para o resultado.
BABICA: Agora podemos falar da moeda?
BÁRBARA: Eu sabia que você não tinha esquecido.
BABICA: Como esquecer, Bárbara?
BÁRBARA: A tradição diz que, se você jogar uma moeda na Fontana di Trevi, um dia voltará a Roma.
BABICA: E você, jogou?
BÁRBARA: Claro que sim! Foi um dos momentos inesquecíveis de minha viagem à Itália!
BABICA: Como joga?
BÁRBARA: Você fica de costas para a fonte e lança a moeda com a mão direita por cima do ombro esquerdo.
BABICA: E se jogar duas?
BÁRBARA: Existem versões dizendo que duas moedas ajudam a encontrar um amor e três podem levar ao casamento.
BABICA: Uma moeda.
BÁRBARA: Por quê?
BABICA: Segurança.
BÁRBARA: Contra o quê?
BABICA: Casamento acidental.
BÁRBARA: Babica!
BABICA: Ahahahahah, melhor não arriscar.
BÁRBARA: O interessante é que milhares de pessoas fazem isso todos os dias. As moedas são recolhidas pelas autoridades de Roma e o dinheiro é destinado a projetos sociais, tradicionalmente ligados à Caritas de Roma.
BABICA: Então a pessoa joga a moeda pensando no próprio desejo…
BÁRBARA: …e ela pode acabar ajudando alguém de verdade.
BABICA: Isso é bonito.
BÁRBARA: Muito. A Fontana di Trevi arrecadou 1,86 milhão de euros em 2025 com as moedas jogadas pelos turistas, Babica. Aproximadamente 12 milhões de reais, dependendo do câmbio.
BABICA: Quanto dinheiro! Moedinha por moedinha?
BÁRBARA: Moedinha por moedinha. A Fontana di Trevi ficou ainda mais famosa por causa do cinema. Em 1960, o diretor de cinema Federico Fellini lançou um filme chamado La Dolce Vita.
BABICA: Filme em preto e branco?
BÁRBARA: Esse mesmo. Numa das cenas mais famosas, a atriz Anita Ekberg entra na fonte durante a noite e chama o ator Marcello Mastroianni para entrar também.
BABICA: Então pode entrar na fonte?
BÁRBARA: Não.
BABICA: Mas ela entrou!
BÁRBARA: Era um filme.
BABICA: Se eu falar que estou fazendo um filme?
BÁRBARA: Também não.
BABICA: Um trabalho da escola?
BÁRBARA: Babica!
BABICA: Tá bom…
BÁRBARA: Hoje existem regras para proteger o monumento. Não se pode entrar na água nem fazer coisas que possam danificá-lo.
BABICA: Porque senão não sobra fonte.
BÁRBARA: Exatamente. É isso que chamamos de patrimônio histórico: algo que recebemos de quem veio antes e precisamos conservar para quem virá depois.
BABICA: Como se o passado emprestasse uma coisa para a gente.
BÁRBARA: Gostei disso.
BABICA: Bárbara…
BÁRBARA: Hum?
BABICA: Quando alguém chega à Fontana di Trevi hoje, vê tudo pronto.
BÁRBARA: Vê.
BABICA: Não vê os romanos construindo o aqueduto. Não vê a menina mostrando a nascente. Não vê Nicola Salvi desenhando nem os escultores batendo na pedra.
BÁRBARA: Não vê.
BABICA: A gente olha para o resultado e acha que aquilo simplesmente apareceu.
BÁRBARA: E fazemos isso com muitas coisas. Vemos alguém tocar piano e não vemos as horas de treino. Lemos um livro e não vemos os anos de trabalho.
BABICA: A gente vê só o final.
BÁRBARA: Muitas vezes.
BABICA: Acho que entendi uma coisa sobre história.
BÁRBARA: O quê?
BABICA: Estudar história é aprender a enxergar a parte escondida das coisas.
BÁRBARA: Gostei muito disso.
BABICA: Antes, se eu visse uma foto da Fontana di Trevi, ia pensar: “Que fonte bonita”.
BÁRBARA: E agora?
BABICA: Agora vou imaginar Roma precisando de água dois mil anos atrás. Os engenheiros calculando o aqueduto, a menina da lenda mostrando a nascente, o arquiteto que não viveu para ver a obra pronta, os cavalos mostrando que a água pode ser calma ou brava…
BÁRBARA: E as moedas.
BABICA: As moedas ajudando pessoas. O filme. Quem cuida da fonte. Tem um monte de histórias naquele lugar.
BÁRBARA: Viu quanta coisa cabe dentro de uma fonte?
BABICA: Cabe até um desejo.
BÁRBARA: Cabe.
BABICA: Então me dá uma moeda.
BÁRBARA: Para quê?
BABICA: Vou treinar. Mão direita, ombro esquerdo. Não quero chegar a Roma e fazer errado.
BÁRBARA: Babica, não jogue essa moeda dentro de casa.
BABICA: Relaxa. Eu sei o que estou fazendo.
BÁRBARA: Essa frase nunca termina bem.
BABICA: Um, dois, três…
BÁRBARA: BABICA!
BABICA: Pronto!
BÁRBARA: Onde foi parar?
BABICA: Atrás do sofá.
BÁRBARA: E qual foi o pedido?
BABICA: Voltar para esta sala.
BÁRBARA: Mas você já está nesta sala.
BABICA: Então funcionou!
BÁRBARA: Ai, Babica…
BABICA: Bárbara?
BÁRBARA: O quê?
BABICA: Quando a gente for a Roma, leva bastante moeda.
BÁRBARA: Por quê?
BABICA: Porque depois de conhecer uma história dessas, acho que uma visita só vai ser pouco.
AS DUAS: Ahahahahahahahah
BÁRBARA: De onde veio este episódio tem muito mais!
BABICA: Visite podcastcafecomleite.com.br para saber mais!
BÁRBARA: Café Com Leite! O podcast para famílias com crianças inteligentes…
BABICA: …e pais que se importam!
AS DUAS: Tchaaaaaaaaauuuuu!
