Em 1957, a escritora Ayn Rand publicou A Revolta de Atlas, livro em que empresários, inventores e profissionais brilhantes começam a desaparecer, abandonando seus negócios e deixando para trás uma sociedade que depende deles para funcionar.
Um desses personagens é Ellis Wyatt, um empresário do petróleo que desenvolveu uma tecnologia revolucionária, gerou empregos e prosperou. Mas seu sucesso atraiu a atenção de políticos e concorrentes interessados em controlar o que ele havia construído. Até que Wyatt se cansou, abandonou tudo e deixou suas instalações petrolíferas em chamas. Aquele incêndio ficou conhecido como a Tocha de Wyatt.
Lembrei dessa história ao ler um artigo do economista Ricardo Schweitzer sobre um fenômeno que começou a aparecer no Brasil depois das eleições de 2026.
Pequenos empresários, donos de padarias, sorveterias e estabelecimentos comerciais, começaram a anunciar que não participariam mais de campanhas beneficentes. Chega de distribuir cestas básicas, patrocinar o time do bairro, comprar rifas ou arrecadar brinquedos para o Natal. E por quê?
Porque se cansaram de ser tratados como inimigos.
Durante a campanha eleitoral, o discurso do “nós contra eles” colocou patrões e trabalhadores em lados opostos, como se todo empresário fosse um milionário explorador. Só que o dono da padaria não é aquele sujeito gordo, de fraque, cartola e charuto. É alguém que fecha o caixa à noite, paga funcionários, enfrenta impostos, burocracia, fornecedores e, muitas vezes, deixa de receber o próprio salário para manter o negócio funcionando.
E ainda encontra tempo e dinheiro para ajudar a comunidade.
Até que descobre que, para uma parcela da sociedade, tudo isso não importa. Ele continua sendo o vilão. Então resolve cuidar apenas das próprias obrigações.
Ora, ninguém é obrigado a fazer doações. A solidariedade que precisa ser arrancada à força deixa de ser solidariedade. E existe uma diferença enorme entre alguém que nunca quis ajudar e alguém que, depois de anos ajudando, chega ao ponto de dizer que não quer mais.
Ayn Rand imaginou o que aconteceria se aqueles que produzem riqueza resolvessem encolher os ombros. No Brasil, ninguém precisa incendiar uma refinaria. Basta deixar de contratar, desistir de investir, fechar uma loja ou suspender a cesta básica de dezembro.
E quem paga a conta dessas decisões? Frequentemente, as mesmas pessoas que o discurso político prometia proteger.
Esse é o assunto do Café Brasil desta semana, “A Tocha de Wyatt”. Um episódio sobre a fabricação de inimigos, a demonização de quem empreende e as consequências de transformar a economia numa guerra entre “nós e eles”.
Ouça o episódio completo no Café Brasil. Está disponível gratuitamente, inclusive com a segunda parte que normalmente seria exclusiva dos assinantes.
Acesse mundocafebrasil.com, procure por “ouça podcasts” e depois pelo episódio 1054, A Tocha de Wyatt.
