Café Com Leite Especial – Inteligência Artificial

BABICA: Bárbara, descobri qual é o animal mais rápido do mundo!

BÁRBARA: Qual é?

BABICA: O falcão-peregrino. Ele consegue voar a mais de 900 quilômetros por hora!

BÁRBARA: Novecentos?

BABICA: Isso mesmo. Perguntei para uma inteligência artificial.

BÁRBARA: E você acreditou?

BABICA: Claro. Ela respondeu na mesma hora, explicou direitinho e usou palavras difíceis.

BABICA: Acho que precisamos conversar sobre isso.

BÁRBARA: Também acho.

BÁRBARA: Eu sou a Bárbara Stock…

BABICA: E eu sou a Babica, o avatar da Bárbara que vive dentro do celular dela.

BÁRBARA: Somos as apresentadoras do Podcast Café Com Leite.

BABICA: Um podcast para famílias com crianças inteligentes…

BÁRBARA: …e pais que se importam!

BABICA: Vamos ao episódio de hoje? Mas antes…

Oi, Bárbara. Oi, Babica. Meu nome é Euridice e eu moro aqui em Santa Maria, numa região de Brasília e escuto muito café com leite com minha filha. É um prazer enorme aprender a cada episódio, viu? Muito obrigada! Oi, Bárbara. Oi, Babica. Meu nome é Samira e eu tenho 8 anos. Eu adoro café com leite e sempre escuto com minha mãe antes de dormir e às vezes quando eu vou sair de carro. Eu gostaria muito de ganhar uma camiseta do café com leite. E meu episódio favorito é da barata e da formiga. Beijos!

BABICA: Que legal, Euridice e Samira! Mãe e filha ouvindo juntas o Café Com Leite. Um beijão pra vocês, viu?

BÁRBARA: Um beijão para vocês, Samira e Eurídice! Vocês ganharam duas camisetas lindas do Café Com Leite, viu?

BABICA: Isso mesmo! Vamos mandar uma camiseta do Café Com Leite para cada uma delas. E você que também gosta do nosso Café Com Leite, mande seu depoimento para o whatsapp 11915670602.

BÁRBARA: Se sua mensagem for escolhida, vamos publicá-la num próximo episódio e você ganhará uma camiseta muito legal!

BÁRBARA: Babica, você acha que palavras difíceis provam que alguma coisa é verdadeira?

BABICA: Não. Mas a Inteligência Artificial falou com tanta certeza…

BÁRBARA: Vamos conferir em outro lugar.

BABICA: Aqui diz que o falcão-peregrino pode ultrapassar 300 quilômetros por hora quando mergulha para capturar uma presa.

BÁRBARA: Bem diferente de 900, né?

BABICA: Vou perguntar de novo para a IA… Olha só: “Você tem razão em desconfiar. Peço desculpas pelo erro.”

BÁRBARA: Então ela havia errado.

BABICA: Mas respondeu tão bonito!

BÁRBARA: Uma resposta pode ser bonita, organizada e convincente e, mesmo assim, estar errada.

BABICA: Isso é estranho. Quando uma pessoa não sabe, diz “não sei”.

BÁRBARA: Algumas pessoas dizem.

BABICA: É verdade. Outras inventam.

BÁRBARA: E uma inteligência artificial também pode inventar, sem perceber que está inventando.

BABICA: Bárbara, você é uma inteligência artificial?

BÁRBARA: Não. Sou uma pessoa.

BABICA: E eu?

BÁRBARA: Você é uma personagem criada e interpretada por seres humanos.

BABICA: Mas vivo dentro do celular, falo sem ter boca e nunca preciso almoçar.

BÁRBARA: Seu caso é mais complicado.

BABICA: Eu sabia. Mas o que é inteligência artificial?

BÁRBARA: “Artificial” significa algo criado pelas pessoas. Inteligência artificial é o nome dado a máquinas capazes de realizar tarefas que parecem exigir algum tipo de pensamento.

BABICA: Como responder perguntas?

BÁRBARA: Também reconhecer vozes e rostos, traduzir frases, recomendar filmes, calcular caminhos e separar mensagens indesejadas.

BABICA: Então ela já está em todo lugar?

BÁRBARA: Em muitos lugares. Nos aplicativos de mapas, nas plataformas de vídeo, nos celulares, nos jogos e em vários serviços que usamos.

BABICA: E aquela com a qual conversamos?

BÁRBARA: É uma inteligência artificial generativa. Chama generativa porque ela pode gerar textos, imagens, músicas, vozes, vídeos e programas de computador.

BABICA: Inteligência Artificial. IA. Como a IA aprendeu tudo isso?

BÁRBARA: Foi treinada com enormes quantidades de exemplos. Uma IA que trabalha com palavras analisa muitos textos e aprende os padrões da linguagem.

BABICA: Padrões?

BÁRBARA: Complete esta frase: “O céu está cheio de nuvens escuras. É melhor levar um…”

BABICA: Guarda-chuva.

BÁRBARA: Você usou o que sabe sobre o mundo, Babica. Uma IA faz algo parecido, mas não igual. Ela examina as palavras anteriores e calcula qual palavra provavelmente vem depois.

BABICA: Então vai escolhendo uma palavra depois da outra?

BÁRBARA: De maneira bem simplificada, sim. Só que faz isso usando relações muito complexas aprendidas durante o treinamento.

BABICA: Por isso parece que ela está pensando.

BÁRBARA: E é aí que podemos nos confundir. Ela não pensa como uma pessoa. Não teve infância, não sentiu frio, não ficou com vergonha e não conhece o sabor de uma laranja.

BABICA: Mas pode explicar o sabor da laranja.

BÁRBARA: Porque encontrou descrições feitas por pessoas. Consegue falar sobre uma experiência sem ter vivido a experiência.

BABICA: Bárbara, isso é assustador. É como alguém que leu cem livros sobre natação, mas nunca entrou numa piscina.

BÁRBARA: Exatamente.

BABICA: E quando ela diz “fico feliz” ou “sinto muito”?

BÁRBARA: Ela não sente essas coisas. Está imitando a forma humana de conversar.

BABICA: Então ela não gosta de mim?

BÁRBARA: Não gosta nem deixa de gostar. Ela não tem sentimentos, Babica.

BABICA: Que decepção. Eu ia convidar a IA para meu aniversário.

BÁRBARA: Pode convidar. Só não compre salgadinhos para ela.

BABICA: Agora entendi por que responde. Mas por que a IA erra?

BÁRBARA: Porque aprendeu com materiais produzidos por seres humanos, e esses materiais podem conter erros, informações antigas, opiniões e preconceitos.

BABICA: É como uma biblioteca gigantesca cheia de livros bons e ruins.

BÁRBARA: Isso. Ter acesso a muitos textos não significa saber automaticamente o que é verdade. Além disso, como foi criada para responder, às vezes completa o que falta com algo que parece possível.

BABICA: Foi o que aconteceu com o falcão peregrino?

BÁRBARA: Provavelmente. Ela montou uma resposta que parecia correta, mas não correspondia aos fatos.

BABICA: Inventou sem saber que estava inventando.

BÁRBARA: Algumas pessoas chamam isso de “alucinação da inteligência artificial”.

BABICA: Ela vê coisas que não existem?

BÁRBARA: Não. É apenas o nome dado a uma resposta falsa apresentada como se fosse verdadeira.

BABICA: Ela pode inventar livros, datas ou pesquisas?

BÁRBARA: Pode. E falar tudo com muita tranquilidade.

BABICA: Então como usamos uma coisa que pode errar?

BÁRBARA: Entendendo para que ela serve e quais são seus limites.

BABICA: Para que ela serve bem?

BÁRBARA: Para explicar palavras, sugerir ideias, organizar informações, traduzir textos, criar perguntas para estudar e mostrar diferentes maneiras de resolver um problema.

BABICA: Pode fazer minha lição de casa?

BÁRBARA: Pode produzir uma resposta, mas isso não significa que você aprendeu.

BABICA: Qual é a diferença?

BÁRBARA: Babica, lições de casa não existem para encher uma folha. Elas existem para fazer alguma coisa acontecer dentro da sua cabeça.

BABICA: Às vezes acontece um sono.

BÁRBARA: Ahahahahaha… Além do sono. Quando você tenta, erra e finalmente compreende, seu pensamento se desenvolve. Se a IA fizer tudo, o trabalho pode ficar bonito, mas você continua no mesmo lugar. Não aprende nada.

BABICA: É como mandar outra pessoa fazer meus exercícios físicos.

BÁRBARA: Isso. Ela fica mais forte e você não.

BABICA: Então posso pedir ajuda sem entregar o exercício inteiro.

BÁRBARA: Pode pedir: “Explique de um jeito mais simples”, “mostre onde errei”, “faça perguntas para eu treinar” ou “dê uma pista sem revelar a resposta”.

BABICA: A IA funciona melhor como treinadora do pensamento.

BÁRBARA: Melhor do que como substituta do pensamento.

BABICA: Ela treina meu pensamento em vez de fazer no meu lugar. E para criar histórias?

BÁRBARA: Pode sugerir personagens e situações. Depois você escolhe, modifica e escreve com sua própria voz.

BABICA: Mas posso pedir que ela faça tudo e colocar meu nome?

BÁRBARA: Olha, poder, pode, mas você acha que é honesto dizer que você criou sozinha?

BABICA: Não é…

BÁRBARA: E você acha que está engando quem? A professora?

BABICA: Mas e se ninguém descobrir?

BÁRBARA: Babica, você estará engando a você mesma! O exercício, a tarefa, foram feitos para você aprender! Quando você usa a IA para fazer por você, pode até ganhar uma nota, mas não aprendeu nada! Isso é enganar a você mesma!

BABICA: Eu nunca tinha pensado assim…

BÁRBARA: A honestidade também serve para que você saiba o que realmente consegue fazer.

BABICA: Essa doeu um pouquinho, viu?

BÁRBARA: É uma dor educativa, Babica.

BABICA: E se eu perguntar se um remédio é seguro?

BÁRBARA: A resposta nunca deve substituir um médico, um farmacêutico ou um adulto responsável. O mesmo vale para saúde, segurança, dinheiro e situações de perigo.

BABICA: Porque um erro pode causar um problema sério.

BÁRBARA: Quanto mais importante for a decisão, mais importante será conferir a informação com pessoas preparadas e fontes confiáveis.

BABICA: Fonte é o lugar de onde veio a informação?

BÁRBARA: Exatamente. Pode ser um livro, um especialista, uma pesquisa, uma instituição ou um documento.

BABICA: A IA sempre mostra suas fontes?

BÁRBARA: Nem sempre. E, mesmo quando mostra, precisamos abrir e verificar se aquela fonte realmente diz o que a IA disse que ela disse.

BABICA: A IA pode inventar a fonte?

BÁRBARA: Pode.

BABICA: Puxa… Estou começando a desconfiar de tudo.

BÁRBARA: Não precisamos desconfiar de tudo. Precisamos aprender a conferir.

BABICA: Como?

BÁRBARA: Quando uma informação parecer importante ou surpreendente, faça três perguntas.

BABICA: Lá vem o manual da Bárbara.

BÁRBARA: Primeira: “Como você sabe disso?”

BABICA: Posso perguntar para a própria IA?

BÁRBARA: Pode. Peça que explique a resposta.

BABICA: Segunda?

BÁRBARA: “De onde veio essa informação?”

BABICA: Para procurar a fonte.

BÁRBARA: E a terceira: “Posso conferir em outro lugar?”

BABICA: Como fizemos com o falcão.

BÁRBARA: Uma informação importante não deve ficar apoiada numa única resposta.

BABICA: E se duas IAs responderem a mesma coisa?

BÁRBARA: Isso ainda não prova que seja verdade. Elas podem ter aprendido com os mesmos erros.

BABICA: Então é melhor procurar um livro, um professor ou uma instituição confiável.

BÁRBARA: Exatamente.

BABICA: Já posso começar a usar?

BÁRBARA: Falta uma coisa importante: privacidade.

BABICA: Eu sabia que havia letras pequenas.

BÁRBARA: Não coloque numa inteligência artificial informações pessoais que você não gostaria de ver circulando.

BABICA: Como endereço, telefone e senha?

BÁRBARA: Também nome completo, documentos, localização, rotina da família e fotografias particulares. Crianças devem usar essas ferramentas com orientação dos adultos responsáveis.

BABICA: Posso mandar a foto de uma amiga para fazer uma imagem engraçada?

BÁRBARA: Não sem a autorização dela e de seus responsáveis. A imagem de uma pessoa faz parte da vida dela. Quando você coloca numa IA, essa imagem vai para um lugar onde fica disponível para todo mundo…

BABICA: A IA também pode criar fotos de coisas que nunca aconteceram?

BÁRBARA: Pode criar imagens, vozes e vídeos muito convincentes. Por isso, ver alguma coisa numa tela já não prova que ela aconteceu.

BABICA: Como descobrimos?

BÁRBARA: Observando de onde veio, procurando outras fontes e pedindo ajuda a um adulto.

BABICA: Nossa… A inteligência artificial está deixando o mundo mais complicado.

BÁRBARA: Em alguns aspectos, sim. Em outros, pode ajudar muito. Pode facilitar a comunicação de pessoas com deficiência, traduzir idiomas, apoiar cientistas, professores e estudantes.

BABICA: Então ela não é boa nem ruim.

BÁRBARA: É uma tecnologia poderosa, Babica. O resultado depende de como é construída e usada.

BABICA: Ela também escolhe os vídeos que aparecem para mim?

BÁRBARA: Muitas plataformas usam inteligência artificial para recomendar conteúdos. Observam o que você assiste, em que clica e o que procura.

BABICA: Então o aplicativo vai me conhecendo?

BÁRBARA: Vai reconhecendo padrões no seu comportamento. Se você assiste a muitos vídeos de gatos, ele mostra mais vídeos de gatos.

BABICA: Até parecer que o mundo inteiro é feito de gatos.

BÁRBARA: As recomendações podem nos prender dentro de um pequeno pedaço do mundo. Por isso, precisamos escolher conscientemente o que vemos.

BABICA: A IA pode decidir por mim?

BÁRBARA: Pode sugerir. A decisão deve continuar sendo sua.

BABICA: Posso perguntar como fazer as pazes com uma amiga?

BÁRBARA: Pode pedir ideias. Mas a IA não conhece realmente sua amiga nem o que aconteceu entre vocês.

BABICA: Para fazer as pazes, eu mesma preciso conversar com ela.

BÁRBARA: Existem partes da vida que nenhuma máquina pode viver em nosso lugar.

BABICA: Ela pode escrever o pedido de desculpas.

BÁRBARA: Mas só você pode estar arrependida.

BABICA: Pode criar um cartão para minha avó.

BÁRBARA: Mas o carinho precisa vir de você.

BABICA: Pode explicar uma matéria.

BÁRBARA: Mas compreender exige seu esforço.

BABICA: Pode responder uma pergunta.

BÁRBARA: Mas decidir se a resposta merece confiança continua sendo responsabilidade nossa.

BABICA: Acho que entendi, Bárbara. A inteligência artificial tem muitas respostas, mas não fica responsável pelo que eu faço com elas.

BÁRBARA: Muito bem.

BABICA: Então ela sabe ou apenas responde?

BÁRBARA: Ela consegue produzir respostas usando tudo o que aprendeu, mas isso não significa que saiba da mesma forma que um ser humano.

BABICA: Porque não viveu, não sentiu e pode misturar verdade com invenção.

BÁRBARA: Exatamente.

BABICA: Mas ainda pode ser muito útil.

BÁRBARA: Desde que não seja tratada como uma máquina mágica que sabe tudo.

BABICA: É uma ferramenta criada por pessoas, treinada com informações produzidas por pessoas e sujeita aos erros das pessoas.

BÁRBARA: Perfeito, Babica!

BABICA: Então já posso criar minha regra para usar inteligência artificial.

BÁRBARA: Vamos ouvir.

BABICA: Posso pedir ajuda, mas não entregar minha cabeça.

BÁRBARA: Gostei.

BABICA: Preciso perguntar: como você sabe, de onde veio e posso conferir em outro lugar?

BÁRBARA: Muito bem.

BABICA: Não devo passar informações pessoais nem imagens de outras pessoas.

BÁRBARA: Exatamente.

BABICA: E, quando o assunto for importante, devo procurar um adulto ou alguém que entenda do assunto.

BÁRBARA: Perfeito.

BABICA: Posso fazer só mais uma pergunta para a IA?

BÁRBARA: Pode.

BABICA: “Qual é a gata mais inteligente do mundo?”

BÁRBARA: E o que ela respondeu?

BABICA: “Babica, o famoso avatar que vive dentro do celular de Bárbara Stock.”

BÁRBARA: Está vendo? Mais uma informação errada.

BABICA: Como você sabe disso?

BÁRBARA: Babica… você é gata?

BABICA: Hummmm…. De onde veio essa informação?

BÁRBARA: Muito engraçadinha.

BABICA: Podemos conferir em outro lugar?

BÁRBARA: Não será necessário.

BABICA: Então você está pedindo que eu acredite sem verificar?

BÁRBARA: Está bem. Talvez a inteligência artificial tenha acertado dessa vez.

BABICA: Eu sabia! Ela falou com muita certeza.

BÁRBARA: Babica!

BABICA: Ahahahahahaha!

BÁRBARA: De onde veio este episódio tem muito mais!

BABICA: Visite podcastcafecomleite.com.br para saber mais!

BÁRBARA: Café Com Leite! O podcast para famílias com crianças inteligentes…

BABICA: …e pais que se importam!

AS DUAS: Tchaaaaaaaaauuuuu!