Depois da eliminação do Brasil na Copa do Mundo, eu esperava ver revolta. Esperava indignação, aquela sensação de quem acredita que perdeu algo que realmente poderia ter conquistado.
Mas foi curioso perceber que a reação predominante foi outra.
“Eu já sabia.”
Essa frase me chamou mais atenção do que a própria derrota.
Porque ela tem aparência de inteligência. Quem diz “eu já sabia” parece mais maduro que os otimistas. Não sofreu porque não acreditou. Não foi enganado porque já esperava o fracasso.
Mas comecei a pensar que talvez exista um problema aí.
Quando a descrença deixa de ser uma reação e passa a ser uma atitude diante da vida, ela deixa de apenas explicar as derrotas. Ela começa a produzi-las.
A psicologia tem um nome para isso: impotência aprendida.
Depois de enfrentar repetidamente situações em que nada parece mudar, a pessoa simplesmente para de tentar. Não porque tenha certeza de que fracassará, mas porque aprendeu que fazer esforço não adianta.
Será que não estamos vivendo exatamente isso como sociedade?
Escândalos se sucedem. Promessas desaparecem depois das eleições. Reformas morrem em alguma gaveta. O cidadão olha para tudo isso e conclui que sua participação não faz diferença.
Então cruza os braços. Deixa a política para os políticos, a educação para os burocratas, a segurança para os especialistas e o futuro… para quem quiser ocupá-lo.
Só que existe uma regra que nunca falha: espaço abandonado nunca fica vazio.
Talvez seja por isso que tenhamos nos acostumado a procurar salvadores. Depositamos esperança no presidente, no juiz, no procurador, no empresário, no técnico da Seleção. Esperamos que alguém apareça para resolver tudo.
Quando esse alguém falha, não abandonamos apenas a pessoa. Abandonamos o jogo.
O problema é que sociedades maduras não dependem de heróis. Dependem de instituições capazes de funcionar mesmo quando os heróis falham.
E a esperança também funciona assim, não nasce de discursos grandiosos.
Nasce quando percebemos que existe uma relação entre esforço e resultado. Quando uma escola melhora, uma rua deixa de alagar, uma regra vale para todos.
A esperança precisa de provas.
Acho que o maior risco para o Brasil não é perder outra Copa, nem eleger mais um governante que nos decepcione. É nos transformarmos definitivamente no povo do “eu já sabia”.
Porque quem entra em campo convencido de que vai perder já começou derrotado.
No Café Brasil desta semana eu desenvolvo essa ideia muito mais a fundo. Parto da derrota da Seleção para discutir quarenta anos de esperanças frustradas, a impotência aprendida, a busca por salvadores e o que precisamos fazer para recuperar uma esperança adulta, baseada em instituições e responsabilidade.
Se este Cafezinho fez você pensar, espere até ouvir o episódio completo.
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Essa conversa é muito menos sobre futebol do que parece.
