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Há 25 anos colocando a inteligência a serviço do agro.
Durante anos, o mundo assistiu a um espetáculo curioso. Não era um show de sucesso. Era de fracassos.
Em algum lugar da costa americana, um foguete com dezenas de metros de altura subia aos céus carregando milhões de dólares em tecnologia, combustível e esperança. Um maluco chamado Elon Musk havia botado na cabeça que pousaria aquele foguete de ré. Durante alguns minutos tudo parecia funcionar. Então vinha uma explosão. E foram diversas vezes.
Às vezes era uma bola de fogo gigantesca. Às vezes o foguete tombava quando tocava o solo. Em outras ocasiões ele parecia prestes a conseguir, pairando no ar por alguns segundos que pareciam uma eternidade, até perder o controle e se transformar em destroços fumegantes diante das câmeras do mundo inteiro.
A transmissão terminava… e começava um outro espetáculo. O dos comentaristas.
Nas redes sociais, nos jornais, nos programas de televisão, surgiam os especialistas de ocasião. Alguns zombavam, outros ironizavam, muitos explicavam, com a segurança de quem jamais havia construído nada parecido, por que aquilo jamais daria certo.
Diziam que era impossível, que era desperdício de dinheiro, que Elon Musk era um vendedor de ilusões.
Afinal, foguetes não dão ré!
E havia certa lógica nessa conclusão. Afinal, desde os primórdios da corrida espacial, os foguetes eram descartáveis. Cumpriam sua missão e se destruíam no processo. Era assim que sempre havia sido e era assim que os especialistas diziam que continuaria sendo.
Mas tinha um detalhe. Enquanto os comentaristas escreviam textos explicando por que aquilo não funcionaria, críticos colecionavam curtidas e piadas se espalhavam pela internet, os engenheiros voltavam para a prancheta, alguém passava noites revisitando cálculos e equipes inteiras analisavam cada segundo de cada explosão para descobrir o que precisava ser corrigido.
Então, um dia aconteceu.
Em dezembro de 2015, um foguete Falcon 9 voltou do espaço, reduziu a velocidade, alinhou-se verticalmente e pousou suavemente sobre a plataforma de lançamento. De pé. Inteiro. Como se desafiasse tudo o que até então parecia óbvio.
Aquela imagem correu o planeta. Não era simplesmente um foguete que havia pousado, era uma ideia.
A ideia de que o impossível costuma parecer impossível até o instante em que alguém faz.
O curioso é que os críticos desapareceram quase na mesma velocidade com que surgiram. Ninguém fez uma coletiva para anunciar que estava errado. Ninguém escreveu um artigo explicando por que havia subestimado o desafio. A multidão simplesmente mudou de assunto.
Mas eu aqui, nunca esqueci daquela sequência de explosões, porque ela revela algo importante sobre a natureza humana.
Existe uma enorme diferença entre quem está tentando resolver um problema e quem está apenas comentando quem tenta resolvê-lo.
Um grupo convive diariamente com o risco do fracasso, o outro convive apenas com o conforto da opinião.
E é sobre essa diferença que eu quero conversar hoje.
Bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil Expresso e eu sou Luciano Pires. Posso entrar?
Olha, toda vez que uso Elon Musk como exemplo em minhas palestras acontece a mesma coisa.
Estou falando sobre inovação, tomada de risco, capacidade de execução ou então visão de longo prazo. Mostro como uma empresa que parecia impossível foi construída. Como é que foguetes que explodiam passaram a pousar de pé. Como uma indústria automobilística inteira foi obrigada a mudar de direção. Como uma rede de satélites passou a fornecer internet em regiões onde antes só havia isolamento.
E aí sempre surge alguém.
Quase sempre com um sorriso de superioridade intelectual dizendo assim:
— Ah, mas o Elon Musk não sabe de nada.
A frase vem pronta. Não importa o assunto. Não importa o contexto. Não importa se estamos falando de engenharia espacial, inteligência artificial, veículos elétricos ou sistemas de manufatura. O diagnóstico já está pronto: o Elon Musk é uma fraude, um picareta, um sujeito superestimado.
Durante muito tempo eu tentava argumentar. Hoje eu não faço mais isso não.
Porque a questão não é o Elon Musk.
A questão é: quem decidiu que opinar sobre uma obra é a mesma coisa que construir uma obra?
Recentemente vi uma entrevista em que Larry Ellison, fundador da Oracle, reagiu a uma crítica semelhante. Um jornalista afirmava, com absoluta convicção, que Musk não sabia o que estava fazendo.
Ellison respondeu com uma pergunta simples.
“Esse cara está pousando foguetes em balsas robóticas no meio do oceano e você está aí dizendo que ele não sabe o que está fazendo. Você já pousou um foguete?”
A pergunta não era uma tentativa de encerrar o debate, mas de recolocar a realidade dentro da conversa.
Existe uma diferença entre discordar de alguém e acreditar que sua opinião vale mais do que a experiência acumulada por quem está efetivamente construindo alguma coisa.
Nossa época desenvolveu uma estranha inversão de prestígio.
Durante séculos, a sociedade admirava construtores. Gente que criava pontes, navios, motores, hospitais, fábricas, empresas e tecnologias. O sujeito podia até estar errado em muitas coisas, mas havia uma evidência concreta de sua capacidade: as coisas que ele fabricava existiam.
Hoje parece que transferimos essa autoridade para os comentaristas.
O sujeito projeta um foguete, o comentarista projeta um texto sobre o foguete. E nós tratamos ambos como se ocupassem o mesmo plano de realidade.
Não cara, eles não ocupam.
O foguete precisa obedecer à física, o texto só precisa obedecer ao editor.
Parece uma diferença pequena, não é? Não, não é.
A física não aceita narrativas, nem militância, nem likes nem torcida organizada. Quando um engenheiro erra um cálculo, o foguete explode. Quando um empreendedor toma uma decisão errada, a empresa quebra. Quando um cirurgião comete um erro, o paciente sofre as consequências.
Existe um mundo onde os resultados são obrigatórios, mas existe outro mundo, cada vez maior, onde basta produzir interpretações sobre os resultados produzidos pelos outros.
Sacou? Basta produzir interpretações.
É aqui que encontramos uma das grandes ilusões da nossa época: confundir atividade com valor.
Elon Musk costuma contar uma piada sobre dois economistas caminhando por uma estrada. Eles encontram uma pilha de esterco. E o economista paga cem dólares para o outro comer o esterco
Mais adiante encontram outra pilha e fazem o mesmo negócio mas agora no sentido contrário. Aquele que tinha comido paga cem dólares pro outro que come a pilha de esterco.
No final, os dois comeram merda e nenhum dos dois ganhou nenhum dinheiro. Só que no processo, duzentos dólares circularam. Sabe o que significa? O PIB aumentou em duzentos dólares.
A piada é engraçada porque ela expõe uma verdade desconfortável. Nem toda movimentação produz valor, progresso ou riqueza.
Existe uma quantidade enorme de energia humana sendo consumida apenas para manter sistemas funcionando, relatórios circulando, reuniões acontecendo, aprovações sendo aprovadas e auditorias auditando auditorias.
Os números sobem, os indicadores sorriem. Mas o que exatamente foi construído, hein?
Nada.
O que exatamente foi construído? Essa talvez seja a pergunta mais importante do nosso tempo.
Estamos entrando numa era em que máquinas conseguem eliminar etapas inteiras de processos burocráticos. Uma tarefa de dez horas pode ser feita em dez minutos, equipes inteiras podem ser substituídas por sistemas que simplesmente resolvem o problema.
A reação natural de qualquer sociedade deveria ser comemorar, mas muita gente está apavorada.
Pensa que é porque a IA ameaça o progresso? Não. Não é não. É porque ela ameaça setores inteiros que aprenderam a sobreviver sem produzir progresso.
Talvez seja por isso que Elon Musk provoque reações tão intensas. Ele claramente não está sempre certo. Não é um santo não. Mas sua existência funciona como um lembrete incômodo de que ainda existe um mundo onde opiniões não bastam. É preciso construir.
Existe um mundo onde a realidade tem a desagradável mania de pedir resultados.
Mas afinal de contas, exatamente o que incomoda tanta gente?
Bem, não é o homem não.
É o espelho.
“Bom dia, boa tarde, boa noite. Tudo bem, Luciano Pires? Tudo bem, Ciça, Lalá? Que Deus abençoe a todos vocês.
E quem fala Mauricio Souza? Eu acompanho o conteúdo do Luciano há cerca de 20 anos. Tudo começou lá nos ídolos de 2005, 2006, quando eu trabalhava numa redação de um pequeno jornal da cidade onde eu morava.
E lá eu encontrei um livro chamado Brasileiros Pocotó. E aquele livro transformou o meu modelo de pensar. Porque ele trazia reflexões extremamente importantes para aquele momento, mas também era um livro visionário. Porque ele trazia apontamentos para o futuro, se a sociedade brasileira continuasse dando ênfase para o conteúdo que dava naquele momento.
E o resultado é isso que estamos vivenciando hoje, 20 anos depois, é exatamente aquele prenúncio malfafado. Foi o que aconteceu, é o que nós estamos vivenciando nos dias atuais. E o conteúdo do Luciano tem muito disso, além de trazer uma reflexão contemporânea, ele tem essa capacidade de trazer pitadas e apontamentos para o futuro.
Não estou dizendo que o Luciano é um profeta, não é essa a questão, mas a experiência de vida e a percepção do que acontece e aonde nós vamos chegar, permite a ele trazer tais reflexõs com esses apontamentos. E eu acho importante que a gente saiba fazer a leitura dessas entrelinhas, e eu tenho certeza que nem todos fazem.
Mas, enfim, Luciano, já fui assinante do teu conteúdo, gosto demais do teu conteúdo, infelizmente, às vezes, os compromissos que nós temos no nosso dia a dia, ser pai, quatro filhos, duas na faculdade, não é algo muito fácil, então qualquer R$40, R$50 faz muita diferença, mas eu sei também que fazem muita diferença pro teu trabalho.
Eu quero muito voltar a assinar, porque é um conteúdo relevante, é um conteúdo formador de opinião, é um conteúdo, acima de tudo, formador de caráter e de perspectiva. E eu acho que isso é importante, é isso que nós precisamos cada vez mais incentivar.
Para concluir, eu venho agora do podcast sobre os pensadores franceses, em que você fala sobre a democracia da interpretação. Puxa, que momento nós estamos vivendo. Vivemos, infelizmente, esse momento líquido, constituído de muitas bolhas. E quão difícil é entrarmos em uma bolha, furarmos uma bolha ou saírmos da bolha em que nós estamos, para termos a capacidade de ouvir, para termos a capacidade de ter a empatia com o outro.
Enfim, para a gente também se policiar, para não cometer o erro que muitos cometem. Achando que somos detentores da razão, da moral, dos nossos problemas, e não é isso, né? Nós só queremos um lugar melhor para se viver e queremos fazer parte desse lugar melhor, fazendo a nossa parte.
É isso então, Luciano, forte abraço, paz e bênção a todos, fiquem com Deus, vida longa, ao Café Brasil.”
Grande Mauricio, muito obrigado pelo depoimento! Você me fez pensar numa coisa que vai muito além do Café Brasil.
Você conta que acompanha meu trabalho há quase vinte anos. Diz que já foi assinante. Diz que gostaria de voltar a assinar, mas que a vida apertou. Quatro filhos, duas filhas na faculdade, contas para pagar. E então solta uma frase que ficou ecoando na minha cabeça: “Qualquer R$ 40 ou R$ 50 faz muita diferença.” E faz mesmo, cara.
Principalmente para quem tem responsabilidades.
Mas o que me chamou atenção não foi o valor. Foi a palavra “diferença”.
Porque olha: a gente faz escolhas todos os dias sobre o que faz diferença e o que não faz. Gastamos dinheiro com aquilo que consideramos importante. Às vezes conscientemente. Às vezes sem perceber.
Pagamos o streaming que não assistimos. Assinamos aplicativos que a gente duas vezes por mês. Compramos coisas que nos dão minutos de prazer e algumas semanas de parcelas.
E não estou fazendo um julgamento moral. Eu também faço isso, cara.
A questão aqui é outra.
Quando alguém me diz que acompanha o Café Brasil há vinte anos, que um livro lido há duas décadas ainda influencia seu modo de pensar e que episódios ouvidos anos atrás continuam ajudando a interpretar o mundo, eu me pergunto qual é a unidade de medida adequada para calcular o valor disso.
Não estou perguntando preço. É o valor. Porque preço é aquilo que sai da conta bancária. Valor é aquilo que entra na vida da gente.
Vivemos numa época curiosa em que a informação ficou barata e a atenção ficou cara. Nunca tivemos tanto acesso a conteúdo. Mas talvez a gente nunca tenha tido tanta dificuldade para encontrar conteúdo que nos ajude a organizar o pensamento.
O Maurício menciona o livro Brasileiros Pocotó. Aquele livro foi escrito há mais de vinte anos. E ele diz que algumas reflexões continuam fazendo sentido hoje.
Isso acontece porque certos padrões humanos se repetem. Mudam os personagens, os cenários, as tecnologias. Mas a natureza humana continua surpreendentemente parecida.
E é por isso que boas ideias envelhecem devagar. E talvez seja esse o verdadeiro desafio dos tempos atuais. Aprender a distinguir aquilo que apenas ocupa nossa atenção daquilo que realmente transforma nossa percepção da realidade.
Porque uma coisa é consumir conteúdo. Outra coisa é encontrar algo que, vinte anos depois, ainda esteja conversando com você. E, quando isso acontece, talvez o valor da experiência já não possa mais ser medido em reais por mês. Sacou?
Fica a reflexão aí. Grande abraço!
Pois então… Voltando ao nosso tema. Por que é que algumas pessoas são fazedoras e outras são apenas comentadoras, hein? Claro, não me refiro às pessoas que tem a profissão de comentar, mas a nós mesmos aqui, no nosso dia a dia.
Essa é uma linha de investigação muito rica porque vários pesquisadores estudaram pedaços diferentes do mesmo fenômeno. E o interessante é que quase nenhum deles concluiu que a diferença está na inteligência, No QI ou no talento nato.
O conflito não é entre gênios e pessoas comuns. É entre quem age sobre a realidade e quem reage à realidade.
Vou repetir aqui: É entre quem age em cima da realidade, atua sobre a realidade e quem só reage à realidade.
Alguns autores podem ajudar muito a entender esse tema.
Julian Rotter talvez seja o mais importante. Julian foi um psicólogo americano nascido em 1916 e falecido em 2014, conhecido principalmente por desenvolver nos anos 1960 o conceito de locus de controle, uma das ideias mais influentes da psicologia do século XX.
A palavra locus vem do latim e significa simplesmente “lugar” ou “posição”.
Quando Julian Rotter falou em locus de controle, ele estava perguntando assim:
“Onde você acredita que está o controle da sua vida?” O “lugar do controle”.
Algumas pessoas têm o locus de controle interno, acreditam que suas ações influenciam os resultados. Outras pessoas têm o locus de controle externo, acreditam que os resultados dependem principalmente de fatores externos: governo, sorte, sistema, mercado, patrão, destino.
Quem possui locus interno tende a agir mais. Quem possui locus externo tende a comentar mais.
Cara: onde está o seu locus, hein?
Depois vem Albert Bandura, um psicólogo canadense-americano, nascido em 1925 e falecido em 2021, considerado um dos pesquisadores mais influentes da história da psicologia. Se Julian Rotter tentou entender onde as pessoas acreditam que está o controle, Bandura foi um passo adiante ele perguntou assim: “Mesmo acreditando que o controle está nas minhas mãos, eu acredito que sou capaz de agir?”
Daí nasceu um dos conceitos mais importantes da psicologia moderna: a autoeficácia. Não basta acreditar que o mundo pode ser influenciado. É preciso acreditar que você é capaz de influenciá-lo.
Pessoas com alta autoeficácia entram em projetos sem nenhuma garantia de sucesso. Pessoas com baixa autoeficácia ficam aguardando condições ideais. Sacou?
Como está a sua auto-eficácia?
Então vem Carol Dweck, psicóloga americana da Universidade de Stanford que ficou famosa por desenvolver a teoria do mindset, especialmente a distinção entre mentalidade fixa (fixed mindset) e mentalidade de crescimento (growth mindset).
Carol mostrou que indivíduos com mentalidade de crescimento enxergam fracassos como informação. Já os de mentalidade fixa enxergam fracassos como sentença.
Quando você olha para os vídeos dos foguetes da SpaceX explodindo, você está vendo exatamente isso.
Enquanto o público e muitos comentadores viam fracasso, os engenheiros de Musk viam dados.
A diferença parece pequena. Mas ela muda o destino inteiro de uma pessoa.
Qual é a sua mentalidade? Fixa ou é de crescimento, hein?
Outro autor importante, que não canso de citar, é o escritor Nassim Nicholas Taleb. Ele argumenta que algumas pessoas não apenas suportam erros. Elas melhoram por causa dos erros. E assim tornam-se antifrágeis.
Cada explosão de foguete tornava a SpaceX melhor. Cada erro alimentava o próximo projeto.
Tem ainda David McClelland, que foi um psicólogo americano que passou boa parte da vida tentando responder uma pergunta que parece feita sob medida para este episódio: Por que que algumas pessoas sentem necessidade de realizar coisas enquanto outras se contentam em só observá-las?
David estudou a necessidade de realização. Algumas pessoas sentem prazer em status. Outras sentem prazer em construir. O fazedor normalmente é movido pela segunda força: construir.
Mas talvez o pesquisador que mais se aproxima da nossa discussão de hoje seja James C. Scott. James foi um cientista político e antropólogo americano, professor da Universidade Yale, e falecido em 2024. Você está reparando que está todo mundo morrendo. 14, 21… Esses caras estão indo embora… Ele não estudou especificamente empreendedores, inovação ou liderança, ele investigou um tema que conversa diretamente com a diferença entre comentadores e fazedores: a distância entre quem vive um problema e quem apenas o observa de longe.
Ele observou que existe uma diferença profunda entre quem administra uma realidade e quem vive dentro dela. Quem está no campo aprende pela prática. Quem está distante aprende pela descrição. O comentador normalmente opera por abstrações. O fazedor opera por contato direto com o problema.
Que tal, hein?
E aí chegamos ao Elon Musk. O que Musk tem que milhões não têm?
Provavelmente não é inteligência. Existem milhares de pessoas tão ou mais inteligentes do que ele.
Também não é conhecimento técnico. Existem engenheiros mais especializados que ele em praticamente todas as áreas onde ele atua.
A diferença parece estar em outra coisa.
O Musk assume responsabilidade por problemas que não foi obrigado a assumir. A maioria das pessoas olha para um problema e pergunta: “Quem deveria resolver isso?”
O fazedor pergunta: “Como eu resolveria isso?”
Essa pequena mudança desloca alguém da arquibancada para o campo de jogo. Sacou?
Mas afinal de contas, é possível mudar de comentador para fazedor?
A literatura sugere que sim. Julian Rotter, Albert Bandura e Carol Dweck convergem num ponto: a identidade de fazedor não nasce pronta. Ela é construída por uma sequência de pequenas experiências de agir. De ação. De acabativa.
Você faz algo e obtém um resultado. Percebe que sua ação causou aquele resultado. Sua confiança aumenta e você tenta algo maior. Você está percebendo que é um ciclo, hein?
Por isso a passagem de comentador para fazedor raramente começa com um foguete. Ela começa com algo muito mais simples.
Um projeto, um texto, um negócio, uma comunidade. Uma decisão que alguém poderia ter tomado por você, mas que você resolveu tomar.
Eu acho que aí está a tese deste episódio aqui.
O mundo está cheio de pessoas inteligentes, de especialistas e de comentaristas.
Mas o progresso da civilização sempre dependeu de uma minoria peculiar que olha para um problema e decide trocar a pergunta “o que eu penso sobre isso?” pela pergunta “o que eu posso fazer a respeito disso?”.
Vou mergulhar mais fundo nessa tese na versão deste episódio aqui exclusiva para assinantes. Se você não assina, deixe de ser comentarista e torne-se um fazedor: vá até o mundocafebrasil.com, escolha um plano e torne-se um assinante. Tem plano que custa menos que duas latas de cerveja quente por mês. Ou menos que um combinado do McDonald´s. Mas é só pra quem vê valor naquilo que a gente faz.
Aqui termina o Café Brasil, que é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo. Todo mundo fazedor…
De onde veio este programa aqui tem muito mais. E se você gosta do podcast, imagine uma palestra ao vivo. Aí eu sou um baita dum fazedor. Eu já tenho quase mil e trezentas no currículo. Conheça os temas que eu abordo no mundocafebrasil.com.
Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.
Para terminar, uma frase do dramaturgo, ensaísta, crítico social e polemista irlandês, George Bernard Shaw:
“As pessoas razoáveis se adaptam ao mundo. As pessoas não razoáveis insistem em adaptar o mundo a si mesmas. Portanto, todo progresso depende das pessoas não razoáveis.”
