BABICA: Bárbara, descobri que não levo jeito para ser inventora.
BÁRBARA: Por quê?
BABICA: Fiz um avião de papel e ele não voou.
BÁRBARA: Você tentou quantas vezes?
BABICA: Uma.
BÁRBARA: Uma vez?
BABICA: Uma vez e meia.
BÁRBARA: O que foi a meia vez?
BABICA: Eu ia jogar de novo, mas percebi que ele cairia. Então economizei tempo.
BÁRBARA: Você acha que os inventores acertam logo na primeira tentativa?
BABICA: Claro. Quando acertam, são inventores. Quando erram, são pessoas fazendo bagunça.
BÁRBARA: Acho que precisamos conversar sobre isso.
BABICA: Também acho.
BÁRBARA: Eu sou a Bárbara Stock…
BABICA: E eu sou a Babica, o avatar da Bárbara que vive dentro do celular dela.
BÁRBARA: Somos as apresentadoras do Podcast Café Com Leite.
BABICA: Um podcast para famílias com crianças inteligentes…
BÁRBARA: …e pais que se importam!
BABICA: Vamos ao episódio de hoje? Mas antes…
Oi Barbara e Babica, aqui quem fala é a Valentina. Eu tenho 8 anos, meu episódio favorito foi do Café com Leite, foi Pantera Negra. Oi Barrabá e Babica, eu sou o Antônio. Eu tenho 7 anos e meu episódio favorito do Café com Leite foi sobre política. Vida longa ao Café com Leite!
BABICA: Valentina e Antônio, que legal! Eu adoro aquele episódio do Pantera Negra!
BÁRBARA: E eu adoro os episódios que tratam de política! Um beijão pra vocês, Antônio e Valentina! E você que também gosta do Café Com Leite pode mandar seu depoimento para o nosso WhatsApp: 11 91567-0602.
BABICA: Se sua mensagem for escolhida, vamos colocá-la num próximo episódio e você ganhará uma camiseta muito legal!
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BÁRBARA: Babica, posso ver seu avião?
BABICA: Pode, mas não critique. Ele está passando por um momento difícil.
BÁRBARA: Uma asa está dobrada para cima e a outra para baixo.
BABICA: Foi uma escolha artística.
BÁRBARA: E esta parte amassada?
BABICA: Foi quando ele encontrou a parede.
BÁRBARA: Talvez você possa corrigir e tentar novamente.
BABICA (tristinha): Ele caiu… Precisamos aceitar a realidade.
BÁRBARA: Ainda bem que Alberto Santos-Dumont não pensava assim.
BABICA: Santos-Dumont? O nome do aeroporto?
BÁRBARA: O aeroporto recebeu esse nome por causa dele.
BABICA: Quem foi Santos-Dumont?
BÁRBARA: Um brasileiro que ajudou a realizar um dos sonhos mais antigos da humanidade: voar.
BABICA: Ué? Antes dele ninguém havia olhado para um passarinho?
BÁRBARA: Muita gente havia, Babica. Durante milhares de anos, seres humanos imaginaram como seria viajar pelo céu.
BABICA: E tentaram?
BÁRBARA: Algumas pessoas prenderam asas nos braços e saltaram de lugares altos.
BABICA: Funcionava?
BÁRBARA: Não, ná?
BABICA: Então o problema não era sair do chão.
BÁRBARA: Era continuar no ar e chegar inteiro de volta.
BABICA: Uma parte importante.
BÁRBARA: Alberto Santos-Dumont nasceu em 1873, em Minas Gerais. Quando era criança, mudou-se para uma grande fazenda de café no interior de São Paulo.
BABICA: Ele cresceu plantando café?
BÁRBARA: Cresceu cercado por cafezais, locomotivas, equipamentos e oficinas. Gostava de observar motores e engrenagens.
BABICA: Ele desmontava tudo?
BÁRBARA: Ele era muito curioso, Babica.
BABICA: Eu também sou! Mas meu avião não voa.
BÁRBARA: Santos-Dumont também gostava dos livros de Júlio Verne, que imaginavam submarinos, máquinas voadoras e viagens extraordinárias.
BABICA: Histórias sobre coisas impossíveis?
BÁRBARA: Sobre coisas que ninguém havia conseguido fazer ainda.
BABICA: Mas existe diferença?
BÁRBARA: Uma enorme diferença, Babica. Quando dizemos “é impossível”, encerramos a conversa. Quando dizemos “ninguém conseguiu ainda”, deixamos uma porta aberta.
BABICA: Santos-Dumont entrou por essa porta…
BÁRBARA: …e saiu voando.
BABICA: Ah, Bárbara… mas ele inventou o avião lá em Minas Gerais?
BÁRBARA: Não. Jovem ainda, ele foi morar em Paris, na França, onde estudou mecânica, motores e física.
BABICA: Sem vídeo na internet?
BÁRBARA: Sem vídeo, aplicativo nem inteligência artificial, Babica. Não existia nada disso.
BABICA: E como alguém aprendia?
BÁRBARA: Lendo, observando, conversando e fazendo experiências.
BABICA: Puxa… isso parece cansativo.
BÁRBARA: Aprender pode ser cansativo, sim. Mas pode ser muito divertido!
BABICA: Ainda bem que inventaram o botão “pular”.
BÁRBARA: Quando você pula o aprendizado, também pula a parte em que aprende, Babica. E aí você está só gastando tempo. Não está aprendendo de verdade.
BABICA: Nada vem fácil pra gente…
BÁRBARA: É preciso esforço! Em Paris, Santos-Dumont começou a voar em balões.
BABICA: Aqueles com uma cesta pendurada?
BÁRBARA: Isso. Eles subiam, mas eram levados pelo vento. Não dava para dirigir o balão. Santos-Dumont queria construir um balão que pudesse ser dirigido.
BABICA: Um dirigível.
BÁRBARA: Exatamente. Ele construiu vários dirigíveis.
BABICA: O primeiro funcionou?
BÁRBARA: Teve problemas.
BABICA: E o segundo?
BÁRBARA: Também sofreu um acidente.
BABICA: Então ele desistiu.
BÁRBARA: Construiu o terceiro.
BABICA: Puxa, mas ele era teimoso, hein? Eu já quero desistir depois do meu primeiro avião…
BÁRBARA: Aí está a diferença, Babica. Cada acidente mostrava um problema que precisava ser resolvido.
BABICA: Um acidente não prova que a ideia está errada?
BÁRBARA: Às vezes prova. Mas muitas vezes, mostra apenas que aquela maneira de realizar a ideia não funcionou.
BABICA: Como saber?
BÁRBARA: Observando o que aconteceu e mudando alguma coisa antes de tentar novamente.
BABICA: Então errar não é automaticamente bom.
BÁRBARA: Claro que não. O erro só ajuda quando ensina alguma coisa.
BABICA: Santos-Dumont modificava suas máquinas?
BÁRBARA: O tempo todo. Ele modificava o formato, o motor e os controles.
BABICA: Meu avião número 2 precisa ser diferente do número 1.
BÁRBARA: Agora você está pensando como uma inventora!
BABICA: Vou usar três folhas.
BÁRBARA: Pensar diferente não significa apenas colocar mais material, viu? Olha, em 1901, Santos-Dumont aceitou um desafio: contornar a Torre Eiffel de dirigível e voltar ao ponto de partida.
BABICA: Ele conseguiu?
BÁRBARA: Na primeira tentativa, sofreu um acidente e ficou pendurado num prédio.
BABICA: Puxa vida, Bárbara. Aí ele aprendeu a lilção e procurou um passatempo mais seguro?
BÁRBARA: Que nada! Ele construiu outro dirigível.
BABICA: Esse homem realmente não sabia desistir.
BÁRBARA: Com o dirigível número 6, ele contornou a Torre Eiffel e voltou.
BABICA: Ganhou um prêmio?
BÁRBARA: Ganhou e dividiu o dinheiro entre seus trabalhadores e pessoas pobres de Paris.
BABICA: Não ficou com nada?
BÁRBARA: Para ele, o mais importante era provar que a ideia funcionava.
BABICA: Mas o dirigível já voava. Por que inventar o avião?
BÁRBARA: O dirigível era sustentado por um gás mais leve que o ar. Santos-Dumont queria construir uma máquina pesada, com asas e motor, que decolasse do chão.
BABICA: Foi aí que apareceu o 14-bis, aque le avião que voa de trás pra frente?
BÁRBARA: Ahahahahahaha… ele tem mesmo um desenho esquisito, parece que voa ao contrário. Mas foi aquele mesmo.
BABICA: Por que esse nome, 14-Bis?
BÁRBARA: Porque a máquina foi testada junto de um dirigível chamado número 14. “Bis” significa algo como “de novo” ou “segunda versão”.
BABICA: Ele parecia com os aviões de hoje?
BÁRBARA: Não muito. Era feito com materiais leves, como bambu e seda.
BABICA: E quem pilotava?
BÁRBARA: O próprio Santos-Dumont.
BABICA: Ele construía e ainda pilotava a máquina?
BÁRBARA: Pilotava.
BABICA: Isso é que é confiança no próprio trabalho….
BÁRBARA: Ou uma maneira radical de verificar a qualidade.
BABICA: Eu pediria para outra pessoa testar.
BÁRBARA: Ahahahaha… Essa pessoa provavelmente pediria para você testar primeiro.
BABICA: Um impasse científico.
BÁRBARA: Em 23 de outubro de 1906, uma multidão se reuniu em Paris. O 14-bis correu pelo campo e saiu do chão.
BABICA: Quanto ele voou?
BÁRBARA: Cerca de sessenta metros, durante aproximadamente sete segundos.
BABICA: Só sessenta metros? E só sete segundos?
BÁRBARA: Dentro daqueles sete segundos havia anos de estudos, acidentes, cálculos e tentativas, Babica. Era o começo de tudo!
BABICA: Quando vemos uma invenção funcionando, não vemos todas as folhas amassadas que vieram antes.
BÁRBARA: Exatamente.
BABICA: Ele continuou tentando?
BÁRBARA: Sim. Algumas semanas depois, o 14-bis voou cerca de 220 metros.
BABICA: O primeiro voo não foi o fim.
BÁRBARA: Foi o começo.
BABICA: Então foi Santos-Dumont quem inventou o avião? Eu tinha lido que foram os irmãos Wright, lá nos Estados Unidos.
BÁRBARA: Essa questão é discutida até hoje, Babica. Os irmãos Wright afirmaram ter voado antes.
BABICA: Então foram eles?
BÁRBARA: A história não é tão simples. Os primeiros voos deles não tiveram a mesma demonstração pública, e suas máquinas usaram, em algumas experiências, um sistema de lançamento.
BABICA: Como assim?
BÁRBARA: Era como um estilingue que lançava o avião deles por uma rampa. O 14-bis, não. Ele correu pelo chão e decolou diante do público pelos próprios meios.
BABICA: Por isso Santos-Dumont é chamado de Pai da Aviação no Brasil.
BÁRBARA: Sim. Mas várias pessoas trabalhavam para resolver o problema do voo naquela época.
BABICA: Um inventava uma parte, outro melhorava outra.
BÁRBARA: É assim que o conhecimento avança, Babica. Uma pessoa recebe o que outros descobriram e deixa algo para quem vem depois.
BABICA: Santos-Dumont compartilhava suas ideias?
BÁRBARA: Sim. Ele queria que outras pessoas pudessem construir e melhorar suas máquinas.
BABICA: Ele sonhava que todo mundo pudesse voar?
BÁRBARA: Sonhava com aeronaves menores e mais acessíveis.
Barulhos de teclado
BABICA: Tô vendo aqui. Olha, ele também inventou o relógio de pulso?
BÁRBARA: Não inventou, mas ajudou a popularizá-lo. Durante os voos, era difícil tirar o relógio do bolso. Então seu amigo Louis Cartier fez para ele um modelo usado no pulso.
BABICA: Um problema no avião ajudou a melhorar o relógio.
BÁRBARA: Muitas invenções começam quando alguém pergunta: “Existe uma maneira melhor?”
BABICA: O que aconteceu com Santos-Dumont depois?
BÁRBARA: Ele ficou muito triste ao ver os aviões sendo usados nas guerras.
BABICA: Usaram a invenção para atacar pessoas?
BÁRBARA: Sim. Ele imaginava que o avião aproximaria os povos, mas a mesma tecnologia também virou arma.
BABICA: Então uma invenção pode servir para o bem ou para o mal.
BÁRBARA: Pode. Um avião transporta pessoas, remédios e ajuda, mas também pode destruir.
BABICA: Por isso precisamos pensar nas consequências.
BÁRBARA: Exatamente. Criar alguma coisa não encerra nossa responsabilidade.
BABICA: Mesmo assim, o sonho de Santos-Dumont mudou o mundo.
BÁRBARA: Mudou. Naquela época, viajar entre o Brasil e a Europa levava semanas. Hoje, um avião faz isso em algumas horas.
BABICA: Quando vemos um avião no céu, achamos normal.
BÁRBARA: Mas houve um tempo em que ninguém tinha visto uma máquina como aquela decolar diante de seus olhos.
BABICA: Santos-Dumont teve coragem.
BÁRBARA: Teve, mas coragem não significa fazer qualquer coisa perigosa sem pensar.
BABICA: Não?
BÁRBARA: Isso pode ser imprudência, Babica. Santos-Dumont estudava, calculava, fazia testes e trabalhava com especialistas.
BABICA: Bárbara… Ainda bem que você avisou.
BÁRBARA: Por quê?
BABICA: Nenhum motivo especial.
BÁRBARA: Babica…
BABICA: Já guardei o guarda-chuva.
BÁRBARA: Você pretendia saltar com um guarda-chuva?
BABICA: Era uma experiência científica.
BÁRBARA: Babica, mas não funciona assim! Essa é uma experiência proibida!
BABICA: Santos-Dumont fazia experiências.
BÁRBARA: Santos-Dumont conhecia mecânica. Você está dentro de um celular segurando um guarda-chuva. É melhor você pode tentar novamente o avião de papel.
BABICA: Vou corrigir as asas e lançar para longe da parede e ver o que acontece.
BÁRBARA: Muito bem. Agora você está transformando a tentativa numa experiência.
BABICA: Qual é a diferença?
BÁRBARA: Numa tentativa, você faz algo e espera que dê certo. Numa experiência, observa o resultado para aprender.
BABICA: Mesmo quando não funciona?
BÁRBARA: Principalmente quando não funciona.
BABICA: Então o fracasso não está apenas no avião cair. Está em ele cair e eu não aprender nada.
BÁRBARA: Muito bem.
BABICA: Santos-Dumont ficou famoso porque cada queda ajudava a construir uma máquina melhor.
BÁRBARA: Essa é uma boa maneira de compreender sua história.
BABICA: Meu avião número 2 está pronto, Bárbara.
BÁRBARA: Vamos ver.
BABICA: Três, dois, um…
BÁRBARA: Ele voou!
BABICA: Voou!
BÁRBARA: Atravessou a sala inteira.
BABICA: E caiu dentro do copo de água.
BÁRBARA: Temos um novo problema.
BABICA: Perfeito!
BÁRBARA: Perfeito?
BABICA: Se apareceu um problema novo, significa que resolvemos o antigo.
BÁRBARA: Você aprendeu mesmo.
BABICA: Tô voaaannndoooooooo!
As duas: Ahahahahahahahahah
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BÁRBARA: De onde veio este episódio tem muito mais!
BABICA: Visite podcastcafecomleite.com.br para saber mais sobre Santos-Dumont e o 14-bis!
BÁRBARA: Café Com Leite! O podcast para famílias com crianças inteligentes…
BABICA: …e pais que se importam!
AS DUAS: Tchaaaaaaaaauuuuu!
