Votar, Votar
Juca Chaves
Votar gritou o povo,
e a votaçao foi feita
Roberta Close eleita preferencia sexual,
Política é um andrógino,
é travesti da esperta
mostrou como roberta, sua frente liberal.
Nova república, não ponha atrás da gente aquilo que a roberta tem na frente.
Setúbal dá dinheiro
e o apoio vem global,
Tancredo desabafa, nisto eu sou profissional.
Há mais de meio século
no mundo equilibrado
ou morre ou sai tombado patrimônio nacional
Canta fafá, o dó de peito sai
e o milton nascimento diz, uái
mordomia é uma mania com jeitinho brasileiro
desde Dom pedro I até os tempos atuais, mas o nosso presidente que é imortal na academia, agora com mordomia
que não morre nunca mais.
Muda sarney, é tempo de mudar
trocar o tucupi por caviar.
Rararraraar… você ouviu Juca Chaves em 1986. Quarenta anos atrás, sacou? Quarenta…
Pois é, meu. Só rindo…
Essa é a pegada do episódio de hoje: a liberdade pra rir e fazer rir.
Bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?
Estou emprestando a música Infância Feliz (Circo), com a qual meu amigo Laudelino de Oliveira inicia suas imperdíveis lives diárias. É pra alegrar seu dia…
O Danilo Gentile publicou um texto chamado Burros não sabem rir, que cabe muito bem neste episódio. Ele diz assim:
“Quanto mais ideológico é o Zeitgeist, o espírito do tempo, mais assustadoramente irracional é o horizonte. Quanto mais ideológico é o mainstream mais a comédia é perseguida.
E isso não é coincidência.
Nenhuma sociedade foi tão gigante e ideológica quanto a URSS e os seus puxadinhos e nada e ninguém perseguiu mais o humor e puniu mais o comediante do que eles.
Isso é porque, em sua origem e essência, toda ideologia política está do lado oposto da comédia.
Embora ideólogos sempre tentem fazer parecer que são intelectuais e tentam, portanto, encaixar a ideologia no campo racional e da inteligência, ela está justamente no campo da burrice e da estupidez.
Todo militante e ideólogo tem a sua ideologia armazenada na mesma área do cérebro onde os maiores idiotas armazenam a violência no futebol, por exemplo. Para esses imbecis, basta você torcer para o time errado que você tem ser punido. O mesmo acontece com militantes.
Quem age por ideologia se encontra sempre no campo da estupidez e irracionalidade. Já quem opta por fazer comédia jamais conseguiria exercer uma carreira relevante se não se refugiasse exatamente no lado oposto, do lado da racionalidade e inteligência.
Sim, a comédia é 100% racional. É um serviço de inteligência.
A preparação e o desfecho é o átomo de toda comédia. Seja em uma piada online ou num elaborado roteiro de cinema de 3 atos, tudo começa com uma preparação onde você cria uma expectativa racional, conduz a sua audiência em um raciocínio e termina no desfecho, onde através do choque, da similaridade, da discrepância, da comparação, (apenas para citar alguns recursos) você surpreende a platéia causando o riso. Piadas são associações racionais de ideias, que você monta e desmonta de uma forma também racional, esperando que as pessoas munidas de racionalidade acompanhem o seu raciocínio e se divirtam ao serem surpreendidas por ele. Resumindo: a comédia é um pacto entre pessoas inteligentes. Quando chega gente burra o pacto é quebrado.
Uma pessoa burra não pode fazer comédia. E uma pessoa burra não pode rir de uma piada. Tanto para quem consome quanto para quem produz, a comédia é uma arte exclusiva apenas para pessoas inteligentes.
Por isso lacradores e militantes odeiam a comédia. Eles não a alcançam pois são acima de tudo, burros. Eles estão estupidamente limitados à cretinice tacanha de suas ideologias.
Assim como apenas os corajosos conseguem andar em uma montanha-russa e usufruir da sua diversão, apenas os inteligentes conseguem usufruir dos benefícios da comédia.
O problema é quando um covarde desiste de andar na montanha-russa, sai no meio da fila, e ao invés de ir pro carrossel decide que o certo a ser feito agora é proibir montanhas-russas, pois algumas pessoas passam mal quando andam nela.
Se dependermos desse tipo de gente , os parques de diversões teriam apenas os carrosséis. Para essas pessoas tudo deve ser medido pela mediocridade do próprio pensamento e covardia.
Quem problematiza piada é burro. Não existe burrice maior do que aquela que habita nas entranhas da covardia. Não existe covardia maior do que o medo de pensar por si próprio.
Nunca aceite ser pautado por gente burra.
Seja inteligente.
Seja livre pra rir.”
Então, o texto do Danilo é um desabafo de um comediante que apanha como gente grande, né?
Olha, o riso é perigoso. Ele sempre foi.
Desde Aristóteles, que via na comédia uma forma de catarse coletiva, até Bergson, que escreveu que “o riso é uma espécie de anestesia do coração para que a razão possa dar a sua sentença sem sofrer”, os filósofos entenderam que humor não é brincadeira de criança.
O humor desarma. Expõe. Ridiculariza.
E é exatamente por isso que, ao longo da história, os poderosos sempre quiseram controlá-lo.
Platão, em As Leis, já recomendava que o riso fosse “vigiado”, pois poderia subverter a ordem. A Igreja Medieval chegou a classificá-lo como pecado. Os soviéticos proibiram piadas sobre Stalin sob pena de cadeia. E não pense que isso era “coisa de comunista”: Hitler também mandava prender quem ousasse rir de seu bigodinho.
O padrão é claro: quanto mais ideológica a sociedade, mais ela persegue a comédia.
No Brasil, temos uma verdadeira antologia da censura ao riso.
Durante a ditadura militar, Stanislaw Ponte Preta criou o Festival da Besteira que Assola o País, o famoso FEBEAPÁ. Semana após semana, ele desmontava as contradições do regime e da sociedade com uma ironia cirúrgica. Foi calado.
Chico Anysio, com seus personagens que ironizavam políticos e autoridades, vivia sob vigilância constante. Jô Soares, ainda nos anos 70, teve quadros inteiros censurados e precisou enfiar seu humor pelas brechas da tesoura do regime.
Na abertura democrática, o riso voltou a morder.
O TV Pirata, no fim dos anos 80, escancarou o ridículo dos políticos, empresários e da própria mídia. O Casseta & Planeta, nos anos 90, virou referência nacional. Mas também conheceu os limites invisíveis: piada que incomodava demais a Globo ou algum político poderoso, simplesmente sumia do ar.
E quando chegamos aos anos 2000, os novos censores já não estavam mais nos gabinetes. Eles se escondiam na militância identitária e nas redes sociais.
Hoje, basta uma piada não agradar ao tribunal do Twitter para o comediante ser cancelado — com direito a boicote, linchamento virtual e processos.
Ou seja: regimes autoritários odeiam piadas. E sociedades imbecilizadas por ideologia também.
O humor é um raio-X do ridículo do poder.
Karl Marx dizia que a história se repete: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Pois é. Mas esqueceu: a terceira, como piada proibida.
Henri Bergson nos lembra que “não haveria comédia se não houvesse sociedade”.
O riso é um contrato social entre pessoas inteligentes. Eu preparo a piada, você entende, nós rimos. Mas quando os burros chegam, o pacto se quebra. Quem não entende, se ofende. Quem não raciocina, lacra.
Você quer ver? Experimente fazer uma piada de político no Brasil.
Se for do campo errado, você vira inimigo da pátria.
Se for do campo certo, é celebrado como resistência.
Mas o humor, meu caro, não tem lado. Sua função é corroer, zombar, abrir fissuras na armadura da seriedade. Ele não presta continência para bandeiras ideológicas. É racional, mas também subversivo.
E aí chegamos a um outro ponto: o riso não é apenas ferramenta de crítica. Ele também cura.
Tiro ao álvaro
Adoniran Barbosa
(De tanto levar frechada do teu olhar)
De tanto levar frechada do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
Táubua de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar
(Não tem mais)
De tanto levar frechada do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
Táubua de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar
Teu olhar mata mais do que bala de carabina
Que veneno estricnina
Que peixeira de baiano
Teu olhar mata mais que atropelamento de automóver
Mata mais que bala de revórver
De tanto levar frechada do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
Táubua de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar
Não tem mais
De tanto levar frechada do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
Táubua de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar
Teu olhar mata mais do que bala de carabina
Que veneno estricnina
Que peixeira de baiano
Teu olhar mata mais que atropelamento de automóver
Mata mais que bala de revórver
“Fala meu amigo, tudo bem? Aqui é o Marco Sinti de Santo André, São Paulo.
Eu fiz uma viagem agora, vim visitar minha filha, que ela mora aqui nos Estados Unidos, e pra vir pra cá eu falei, deixa eu comprar algum livro pra eu passar o tempo também, né? Tanto no avião quanto lá, né?
E eu comprei aqui o Merdades e Ventiras, né? E eu tô lendo aqui, excelente livro, né? E uma coisa que me chamou a atenção aqui é justamente a… Tô naquele capítulo ali do Bauman, né? Que fala da sociedade líquida. E realmente, cara, eu tenho 56 anos, né? E realmente essa juventude aí, essa nova geração, não tem paciência pra nada. Eu tô exatamente aqui na página 50, no comecinho dela, onde você comenta sobre a parte dos textos longos, tudo, né?
Eu trabalho com implementação de sistemas, suporte aos usuários, né? Uma série de implantação, uma série de coisas aqui em TI. E justamente me veio a cabeça, uma vez eu estava, eu gosto de explicar, eu dou o treinamento para os usuários e compro um sistema e uma vez a gente também atende por chamados, então eles mandam e-mail com algumas dúvidas e a gente responde ajudando, explicando qualquer problema.
E uma menina mandou, um cliente nosso mandou uma dúvida e eu escrevi para ela um e-mail e eu gosto de ser bem detalhista, explicando para a pessoa entender e não ficar ligando toda hora, porque toda vez que a pessoa liga com o mesmo problema, é um problema para nós também. E ela me ligou depois, eu respondi para ela e ela me ligou meia hora depois fazendo a mesma pergunta. Eu falei, cara, mas eu te mandei um e-mail explicando tudo direitinho, como é, como funciona. Ah, senti mal, mas na boa, seus textos são muito longos, cara, eu não leio.
Eu falei, que caceta, faz o seguinte, então, lê lá o e-mail que eu não vou te atender agora. Entendeu? Eu não tenho tempo, estou ocupado aqui. Lê o e-mail que você vai entender.
Ou seja cara, os caras não tem a menor intenção de ler, aquilo tem que ser tudo de imediato, e isso é um problema muito sério né, porque ninguém se aprofunda em nada cara, então eu tinha também uma pessoa que trabalhava comigo também, falei, cara, mas estuda, eu estudo só os problemas que os filhos passam, então tá bom, o que que aconteceu com esse cara, o primeiro corte que teve na empresa foi pra rua, porque a pessoa não se interessa em nada.
Enfim, essa juventude aqui meu amigo, nós estamos perdidos. Nós temos o futuro do nosso país na mão dessa juventude, meu amigo, se a gente acha que tá ruim, vamos ver o que vai acontecer daqui pra frente.
Bom, um abraço, Luciano, vida longa pro nosso cafezinho aí, e tudo de bom, fica com Deus.”
Grande Marco, você está certo: vivemos num tempo em que ninguém se aprofunda em nada. A inteligência que exige esforço, paciência e reflexão foi trocada pela pressa e pelo imediatismo. A juventude — e não só ela — não lê, não conecta pontos, não tolera complexidade. Não tem referências. Quer respostas prontas, mastigadas, de 15 segundos. Só que sem mergulho não tem aprendizado, sem leitura não tem repertório, sem densidade não há inteligência. E quando não há inteligência, todo mundo perde. Grande abraço, meu caro!
Cara, você já pensou em ter um negócio funcionando 24 horas por dia, hein? Uma adega autônoma que você instala no condomínio sem precisar de funcionários, entregando vinhos top na temperatura ideal? E o melhor, tudo controlado pelo celular, com margem de 80% por venda.
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Dizem que rir é o melhor remédio. Mas isso nunca foi apenas ditado simpático de mãe ou de avó. A ciência resolveu levar a piada a sério.
Nos anos 90, a rede Comedy Central financiou um projeto ousado na UCLA: usar humor como ferramenta terapêutica. O nome já dizia tudo: Rx Laughter, receita médica de gargalhadas.
A ideia era simples: mostrar a crianças saudáveis, e depois a crianças doentes, trechos de comédias e desenhos animados. Mediam pressão, batimentos, hormônios do estresse. O resultado? O riso relaxava, ativava o sistema imunológico, diminuía a dor e até acelerava a recuperação.
Isso lembra Patch Adams, aquele médico que vestia nariz vermelho e acreditava que um palhaço podia ser tão necessário quanto uma seringa. A medicina o achava excêntrico. E hoje a ciência confirma: ele estava certo.
Freud dizia que o humor nos permite liberar energia psíquica acumulada. Viktor Frankl, sobrevivente de Auschwitz, afirmou que a capacidade de rir, mesmo em meio ao horror, foi uma das armas que mantiveram prisioneiros vivos. Ou seja: rir é resistência.
No Brasil, não faltam exemplos. Os Doutores da Alegria, desde os anos 90, entram em hospitais com nariz de palhaço e tiram da dor o peso insuportável. O resultado está nos relatórios clínicos e, principalmente, nos olhos das crianças. Basta uma gargalhada para que o soro, a agulha e o medo encolham diante do milagre simples da vida.
Rir não cura a doença. Mas cura o doente. Dá coragem para enfrentar a agulha, dá respiro para suportar a sessão, dá esperança para continuar lutando.
Como disse Mark Twain: “A força da risada pode levar qualquer coisa; ela é o verdadeiro antídoto para o terror.”
Se pensarmos bem, talvez a função mais poderosa do humor seja esta mesmo: lembrar-nos de que somos humanos. Frágeis, ridículos e, justamente por isso, capazes de nos levantar mesmo diante da dor.
Rir é resistência.
Rir é inteligência.
Rir é remédio.
E rir também é moral.
Essa é outra faceta que passa despercebida.
Vem Fazer glu-glu
Sérgio Mallandro
Vem meu amor, vem fazer glu-glu, mon a mour
Vem meu amor, vem meu chuchu
Vem bem pertinho fazer glu-glu
Glu-glu para mim, glu-glu para tu
Vem meu amor, I love you, take it easy girl
Oh, yeah! Yeah, yeah!
Oh, yeah
O que é que você quer
Take it easy girl
Mas o que é que você quer
Eu vou lhe contar
Ah! Uh! Ah! Uh! Ah! Uh!
O que é que você quer?
Eu quero te amar, eu quero beijar
Eu quero apertar, eu quero botar
No meu coração, essa gatinha
Cheio de emoção
Let’s go
oh, yeah
O que é que você disse?
I love you
O que é que você disse
Merci beacoup
Take it easy, take it easy
Uhuh
J’taime, mon a mour
Eu disse: Eu te amo, girl
Vem meu amor, vem fazer glu-glu, mon a mour
Vem meu amor, vem meu chuchu
Vem bem pertinho fazer glu-glu
Glu-glu para mim, glu-glu para tu
Vem meu amor, I love you, take it easy girl
Oh, yeah! Yeah, yeah!
Oh, yeah
O que é que você quer
Take it easy girl
Mas o que é que você quer
Eu quero você e vou lhe contar)
Ah! Uh! Ah! Uh! Ah! Uh!
O que é que você quer?
Eu quero te amar, eu quero beijar
Eu quero apertar, eu quero botar
No meu coração, essa gatinha
Cheio de emoção
Let’s go
Because, because, yesterday, yesterday
O que é que você disse?
Eu disse
Because, because, yesterday, yesterday
oh, yeah! Yeah! Yeah!
oh, yeah! Yeah! Yeah!
I love you, merci beacoup
Uh! Uh! Fazer glu-glu!
Oh! Oh! Có ró có có
Uh! Uh! Fazer glu-glu
Oh right girl, todo mundo junto galera
A, e, i, o, u
I love you, merci beacoup girl
Eu te amo minha gatinha preferida
Bye, eu vou partir, eu vou embora, estou indo embora
Uh! Uh! Fazer glu-glu
Adeus meu amor, adeus, I love you
Take it easy, yesterday
Take it easy, yesterday, tomorrow
Very good kiss me, please
Beija-me, meu amor
Eu quero lhe beijar, eu quero beijar você
Você será feliz só comigo
Eu sou a felicidade, eu sou o sol
Eu sou o passarinho que vai pousar no seu ombro
Pra fazer piu piu
Eu sou o algodão doce que você come na pracinha
Para sonhar com um mundo melhor
Enfim, eu sou tudo isso que você pensa e teve um dia para você
Beija na minha boca e serás feliz
E acordarás como a bela adormecida num bosque iluminado
Eu sou os sete anões, eu sou a branca de neve
Enfim, eu sou eu e você é você
Olha aí, ó: voltamos para 1982 agora com Sérgio Mallandro e o seu mega sucesso Vem Fazer Glu Glu, como é que pode, cara… e em cima do Let´s Groove do Earth Wind and Fire, não é? Sobe aí Lalá…
Um homem, devastado pelo AVC da esposa, descobriu no improvável um soro de esperança: uma cena de comédia na TV. Ele assistiu, riu, e riu junto com ela, mesmo quando ela mal conseguia engolir. Por alguns minutos, a tragédia recuou. O sofrimento perdeu força. A comédia cumpriu um papel que nenhum remédio, por mais sofisticado, poderia cumprir: devolver humanidade.
Essa história joga luz sobre algo essencial: a moralidade da comédia.
Para John Stuart Mill, a régua moral é simples: tudo o que reduz sofrimento é moral; tudo o que aumenta sofrimento é imoral. E se aceitarmos isso, o humor é uma das mais belas expressões de moralidade já inventadas.
O riso alivia a dor, melhora a saúde, cria vínculos, corrói a arrogância do poder. É ferramenta de justiça social. Foi ele que deu a Stanislaw Ponte Preta a coragem de denunciar absurdos. Que deu a Millôr Fernandes a navalha para cortar a hipocrisia. Que deu ao Casseta & Planeta munição para expor políticos ao ridículo em horário nobre.
Um povo que pode rir de seus líderes ainda não está totalmente escravizado.
E talvez seja por isso que regimes autoritários e militâncias fanáticas odeiam o humor. Porque ele não respeita fronteiras ideológicas. Não pede licença para expor incoerências. O riso é igualitário: tanto pode aliviar a dor de uma família na UTI quanto zombar da empáfia de um ministro engravatado.
Há quem diga que comédia não tem moral, que é só piada. Discordo. O riso é moral na medida em que nos ajuda a suportar a vida, dá coragem diante da dor e corrói a arrogância dos poderosos.
Victor Frankl de novo ele, resumiu bem: “O humor é uma das armas da alma na luta pela sobrevivência.”
E num mundo cheio de falsos guardiões da moralidade, eu arrisco: poucos fazem mais pela moral humana do que os comediantes. Eles não apenas nos divertem. Eles nos devolvem dignidade quando tudo parece perdido.
Se rir é resistência, então rir também é moral.
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Então, eu me lembro de uma vez conversar com o Murilo Gun, quando ele estava em sua fase de stand up comedy e ele me falava do peso que entrava com ele em palco. A obrigação de fazer a plateia rir.
Cara, subir num palco para fazer stand-up é coisa de maluco. Não tem cenário. Não tem personagem para se esconder. Não tem trilha que disfarce. É você, um microfone e uma plateia com cara de: “E aí: vai, me faz rir?”
A ciência resolveu estudar esse negócio. Não pra rir, mas pra medir. Colocaram psicólogos, antropólogos e estatísticos atrás dos comediantes. E sabe qual foi a conclusão inicial? Que gente engraçada parece meio perturbada.
Pois é. Aquele amigo que faz piada de tudo, o cara que transforma tragédia em anedota, segundo os pesquisadores, pode ser sinal de “psicose latente”. Que bonito, né? Psicose. Só que não. O que eles descobriram é que a percepção muda com o contexto. Se você conta uma história “normal”, você é saudável. Conta a mesma história como piada? Vira suspeito de loucura. Moral da história: rir é um desvio — só que um desvio permitido.
É aí que entra a tal teoria da violação benigna. A piada só funciona se quebrar uma regra social… mas não completamente.
Se for leve demais, ninguém reage. Se for pesada demais, vira ofensa.
O humor mora nesse limite incômodo: transgressão que assusta, mas logo em seguida mostra que não é perigosa. O riso nasce do alívio.
Você quer um exemplo brasileiro? Os Trapalhões. Eles viviam de empurrar o limite. Didi chamava Mussum de “bebum” e Zacarias de “baixinho”. Era piada? Claro que era. Mas era também uma forma de normalizar a diversidade no horário nobre. Hoje, muitos deles seriam processados antes do primeiro intervalo comercial.
Outro detalhe: stand-up não é só contar piada. É ler o ambiente em tempo real. É inteligência social. É saber quando pausar, quando acelerar, quando olhar nos olhos do público e quando baixar a cabeça. Tanto que até tentaram colocar robô no palco. O tal de RoboThespian. O resultado? A plateia ria quando ele encarava as pessoas, mas morria de tédio quando tentava fazer humor físico. Ou seja: sem alma, sem timing, sem graça.
E olha que interessante: gente que costuma reprimir emoções negativas é mais propensa a procurar shows de stand-up do que a ir num jogo de futebol ou num concerto de música. Traduzindo: stand-up é uma válvula de escape. A gente ri do que não tem coragem de encarar.
E, claro, tem o lado terapêutico. O humor é um jeito de transformar dor em catarse coletiva. Freud já dizia: piada é economia de energia psíquica. Viktor Frankl, preso em Auschwitz, garantiu que o riso foi uma das armas que o mantiveram vivo. Patch Adams botou nariz vermelho no hospital e provou que piada pode ser tão poderosa quanto antibiótico.
No Brasil, a prova está em Chico Anysio, que fez do país inteiro uma plateia de psiquiatra: nos apresentou pra Salomé, Professor Raimundo, Justo Veríssimo. Cada personagem era uma piada… e um diagnóstico social. Hoje, na geração do stand-up, gente como Rafinha Bastos ou Afonso Padilha continua a tradição: cutucar a ferida, arriscar, irritar uns, fazer outros gargalharem.
Desde que haja inteligência.
Vamos então agora ao nosso merchan? O Café Brasil é uma produção independente, não tem ligação com sites poderosos, não em ninguém com grana bancando a gente aqui, não. É nóis por nossa conta e você ajudando aí.
Então, se você gosta desse trabalho, gosta do podcast, quer que ele continue, venha pro barco, cara. Torne-se um assinante.
Aesse: mundocafebrasil.com. Escolha um plano, e vem pro barco. Vamos agitar, vamos?
Lá vem o alemão
Dinho
Júlio Rasec
Só de pensar que nós dois éramos dois
Eu feijão, você arroz
Temperados com Sazón
Só de lembrar nós na Kombi no domingo
Nosso amor era tão lindo
Nós descíamos pro Boqueirão
A Kombi quebrada lá na praia
E você de minissaia
Dando bola para um alemão
O alemão de carro conversível
Eu mexendo nos fusível
Nem vi quando você me deixou
Subiu a serra
Me deixou no Boqueirão
Arrombou meu coração
Depois desapareceu
Fiquei na merda
Nas areias do destino
Me tratou como um suíno
Cuspiu no prato que comeu
O amor é uma faca de dois legumes
A luz anal de um vaga-lume
Que ilumina o meu sofrer
Eu ainda sinto o seu perfume
Um cheirinho de estrume
Não tá fácil de te esquecer
Toda vez que eu lembro de você
Me dá vontade de bater
Te espancar, ó meu amor
Só porque ele é lindo, loiro e forte
Tem dinheiro e um Escort
Como Modess, você me trocou
Subiu, sim
Subiu, sim
Subiu
Geladinho, gostosinho, ui
Ui
Eu disse sim, eu disse sim
Eu fiquei, você subiu, subiu
Subiu, subiu, subiu
É assim então, ao som de Lá Vem O Alemão, com os Mamonas Assassinas, que vamos saindo imaginando que uma banda como essas não teria a menor chance hoje em dia, não é? Que pena, cara… Onde mais você encontra uma transição de pagode para rock e vice-versa? Mamonas, cara!
No fim, a psicologia do humor revela o óbvio: a piada é pacto entre inteligentes. Eu crio o raciocínio, você acompanha, e juntos damos a gargalhada.
Mas se entrar gente burra no meio… o pacto quebra. Eles não entendem. Se ofendem. Cancelam.
O palco da comédia é o último espaço de liberdade radical: ali, tudo pode ser dito, desde que seja engraçado. E talvez essa seja a maior função da comédia hoje.
Nos lembrar de que, mesmo num mundo cheio de regras, dogmas e censores de rede social, ainda existe um lugar onde podemos rir de nós mesmos.
Rir não é só terapia. É rebeldia.
Por isso incomoda. Por isso tem tanta gente tentando proibir.
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Para terminar, uma frase dele, Millôr Fernandes
“Rir é a forma mais civilizada de mostrar os dentes.”
