E aí entro no Spotify e encontro uma ouvinte do Café Com Leite comentando assim: “O podcast é ótimo, mas quase desisti por causa da propaganda”. Depois um ouvinte do Café Brasil dizendo “Cinco minutos de propagada, vou desistir de ouvir”.
Bem, não eram 5 minutos, eram 2,5. E a minha resposta padrão é simples: tá achando ruim, hein? Torne-se assinante que você terá acesso aos episódios sem propagandas. É exatamente por conta delas, as propagandas, que você pode ouvir nosso conteúdo de graça! E a turma não gosta dessa resposta, cara…
Puta gente sem noção. Cresceram assistindo novelas, filmes e programas na televisão, que tinham comerciais o tempo todo e nunca reclamaram. Agora vêm aqui me encher o saco. Você quer moleza? Pague para ter, ora bolas.
Mas se fosse só isso…
O Roberto Motta me convidou para ir ao programa dele lá na Pan, o tema era liderança, e eu escolhi uma camiseta com uma frase emblemática: “O mundo muda com seu exemplo e não com a sua opinião”, que eu usaria para marcar minha fala. Cara, essa frase é uma porrada. Elas nos joga na cara que ações têm peso real; opiniões, não. Opinião é palavra solta ao vento. É fácil, é barato, é inócuo. Todo mundo tem, todo mundo dá, e na era das redes sociais isso virou uma epidemia: um mundo de gente opinando sobre tudo, sem compromisso com nada. A opinião não transforma o mundo porque ela, sozinha, não se traduz em prática. É ruído. É vaidade. É como apontava Sêneca: “Palavras ensinam, mas exemplos arrastam”. É o exemplo — a conduta visível, concreta, palpável — que serve como referência para os outros, que provoca imitação, que altera comportamentos.
“O mundo muda com seu exemplo e não com a sua opinião”. Não é um arraso? Pois é. Mas aí eu comentei que a frase era de Paulo Coelho.
Pronto, cara. Na área comentários dezenas de pessoas dizendo coisas como “Paulo Coelho? Parei de ouvir ali”, “Que ridículo o cara citar Paulo Coelho”, “Esse idiota elogiando Paulo Coelho” e coisas parecidas. Os caras não comentaram a riqueza da frase, muito menos o contexto no qual eu a utilizei, se preocuparam com o nome do autor da frase. Isso bastou para desqualificar uma conversa deliciosa de mais de uma hora.
Exemplos como esse, cara, eu tenho dezenas. Eles dão a dimensão da pobreza cognitiva do brasileiro. Não deve ser muito diferente em outros países, mas eu estou no Brasil e quero falar dos brasileiros que, como disse Nelson Rodrigues, só são solidários no câncer. Aliás, nem no câncer mais.
Eu fui obrigado, a semana atrás, a ler piadinhas sobre aquela garota que morreu lá no vulcão da Indonésia, porque ela era de esquerda… Meu, o que é que aconteceu com a gente, hein?
Olha: essa é a pegada do episódio de hoje.
Bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?
Comportamento geral
Gonzaguinha
Você deve notar que não tem mais tutu
E dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
E dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
E esquecer que está desempregado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem teu carnaval?
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem teu carnaval?
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre muito obrigado
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve, pois, só fazer pelo bem da nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem teu carnaval?
Mas você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, Seu Zé
Se acabarem com teu carnaval?
Você…
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
E um Fuscão no juízo final
Você merece
E diploma de bem comportado
Você merece, você merece
Esqueça que está desempregado
Você merece, você…
Tudo vai bem, tudo legal
Que maravilha…
Você está ouvindo uma versão deliciosa do clássico de Gonzaguinha, Comportamento Geral. Aqui quem canta é Luiã. Não encontrei informações sobre ele na internet…
Comportamento geral tem uma letra ácida que escancara o conformismo, o vazio da massa que aceita tudo calada e ainda aplaude o que a oprime. Um tapa na cara da alienação.
Então… O que é que aconteceu com a gente, hein? Em que momento o brasileiro, esse sujeito que já foi conhecido pela leveza, pela alegria e pela capacidade de rir de si mesmo, se transformou nesse bicho amargo que vive armado, pronto para disparar a metralhadora de veneno no primeiro comentário da internet?
Vivemos na era da opinião gratuita. Todo mundo tem uma. Aliás, todo mundo se sente obrigado a ter uma. E mais: a oferecer essa opinião como se fosse verdade absoluta, incontestável, definitiva. Não importa o conteúdo, não importa o contexto, não interessa se a frase citada é um ensinamento que poderia ajudar a mudar a vida de alguém. O que importa é a etiqueta. O rótulo. Quem disse. Quem escreveu. Se o autor for alguém que eu não gosto — seja por preconceito, seja por ignorância — cancela-se o conteúdo, cancela-se o diálogo. Paulo Coelho? Ah, não. Puxa, se tivesse sido Aristóteles talvez valesse. Mas Paulo Coelho? Eu vou embora, eu não ouço mais.
Platão nos alertava, lá na Antiguidade, sobre o perigo do doxa, a opinião superficial, vazia, que não se sustenta em conhecimento. Mas parece que a humanidade nunca aprendeu a lição. Seguimos prisioneiros da caverna, assistindo sombras na parede, julgando o mundo a partir de impressões rasas, de preconceitos tolos, de tribalismos medíocres.
E quanto às propagandas, hein? Ah, as propagandas… Meu, quanta pobreza de espírito há em quem se ofende por ter que ouvir uma ou duas mensagens comerciais que viabilizam um trabalho feito com amor cara, com esmero, com entrega… Gente que cresceu assistindo televisão com intervalos de cinco, dez minutos, mas que hoje se sente ultrajada por um anúncio que paga o café, o microfone, a edição. O filósofo Marco Aurélio, imperador e estoico, nos ensinava: “Você tem poder sobre a sua mente — e não sobre os eventos externos. Perceba isso e encontrará força.” Mas, parece que preferimos reclamar. Preferimos nos colocar no papel de vítimas, exigindo um mundo sob medida para nosso conforto e nossa preguiça.
Estamos nos tornando uma nação de adolescentes mimados, incapazes de reconhecer o esforço alheio, incapazes de valorizar o que realmente importa. Preferimos julgar pelo rótulo, pela casca. Uma frase de Paulo Coelho? Ridículo! Um anúncio para manter o conteúdo gratuito? Um ultraje! Mas o ingresso para o show vazio de sentido, a parcela do carro que só serve para ostentar no Instagram, o celular da última geração que se paga em 36 vezes… ah, isso ninguém questiona. Para isso o bolso abre fácil, né?
O que é que aconteceu com a gente? O que foi feito da nossa capacidade de enxergar o outro, de reconhecer o valor daquilo que constrói e transforma? Onde é que foi parar o senso de comunidade, de solidariedade, de respeito? Como é que nos tornamos tão pobres de espírito, tão carentes de inteligência emocional, tão incapazes de ouvir uma ideia sem pré-julgamento?
Em vez de buscar se elevar, a turba prefere puxar quem tenta voar de volta para o chão. Para que ninguém brilhe, para que ninguém inspire, para que ninguém faça diferente.
Talvez seja por isso que “não vai dar certo”. Porque enquanto a gente não aprender a olhar para o essencial e não para a embalagem, enquanto não aprendermos a apoiar quem faz, quem cria, quem tenta, vamos continuar atolados no mesmo lugar: pobres de pensamento, ricos em julgamento vazio. E o pior: achando que temos razão.
Está na hora de parar de dar tanta opinião e começar a dar exemplo, viu? Porque o mundo, como bem diz aquela frase tão criticada, muda com o seu exemplo, e não com sua opinião.
“Bom dia boa tarde boa noite Luciano, meu amigo, me permito lhe chamar de amigo pois ainda que virtualmente, você oferece mais conteúdo à minha vida cara, do que qualquer aspirante a amigo que eu já tive a chance de conhecer.
No podcast Luciano, 978 E agora José, você me trouxe uma reflexão que quase me tirou sono, tamanha foi a autoanálise que eu fiz, cara. O resultado foi algo de anos assim surpreendente. É sobre pertencimento.
Meu nome é Ramiro tenho 50 anos de idade e ouço seus podcasts há mais de 8 anos cara. Eu não havia assistido aquele filme O clube da luta. Fui assistir, praticamente me vi na tela em diversos momentos diversas cenas.
Sou de origem bem humilde, mas eu tinha sonhos e objetivos bem traçados desde pequeno. Em vários momentos de minha vida merecia ter mais maturidade sabe. Haja vista que os desafios da vida adulta eram bem conflitantes para mim.
Sim, eu era bem articulado nas ideias a ponto de dialogar, argumentar e relacionar com pessoas mais experientes, porém infantil quando precisava tomar atitudes decisivas que me alçariam em degraus mais vantajosos, ou seja, perdi oportunidades riquíssimas, evolução, progresso e sucesso.
Já no fim da carreira, maturidade bateu à porta da consciência. E foi justamente por causa desse sentimento de pertencimento que eu procurei terapia. O terapeuta me encaminhou para o psiquiatra e em poucos minutos o médico me diagnosticou. Transtorno de personalidade borderline.
Explicava muito bem a maneira alternada que eu vivia, as dificuldades nas relações interpessoais que eu colecionei ao longo da carreira. Como militar do corpo de bombeiros eu me sentia um pinto no lixo, um garoto num playground, um cinéfilo em Hollywood. Eu sou viciado em adrenalina.
E quando eu encontro algo que me oferece esses neurotransmissores, adrenalina e serotonina, aquilo passa a ser meu hiperfoco. Lógico que é uma hipérbole me considerar um viciado nesses neurotransmissores, mas a sensação que a gente tem é essa. Eu atendi ocorrências até o final da minha carreira com a disposição e energia de um garoto de 19 anos. Pois é, minha tribo deve ter migrado para outro continente.
Mas o vazio ao qual você comentou, sofreu Tyler Durden, o personagem de Brad Pitt no filme Clube da luta, foi o que eu senti. Hoje, mais maduro, encontrei minha tribo. A tribo insólita de um eterno adolescente que tem paixão por trabalho, livros e filmes.
Luciano, um grande abraço de um ouvinte que lhe deve uma guinada proveitosa na vida e sinceras desculpas por não ter valorizado anteriormente seu trabalho, como deveria. Isso é uma pérola no quintal de uma fazenda de pocotós.
De vez em quando, alguns recebem um eco de iscas nos ouvidos e despertam, mas a gente tem vergonha de se expressar. Hoje em dia é a era dos idiotas, os idiotas dominaram o mundo e eles eram muitos.
Forte abraço.”
Grande Ramiro, seu comentário é um presente, cara. Você trouxe um relato profundo, honesto e emocionante, que mostra como o conteúdo que ofereço encontra eco em almas inquietas como a sua. Fico comovido ao saber que, de alguma forma, contribuí para essa sua guinada, para essa busca de pertencimento e autoconhecimento. Sua coragem em se expor, em refletir, em agradecer, só reforça: ainda existe gente que quer crescer, que quer evoluir. Muito obrigado por essa verdadeira aula de humanidade, cara. Forte abraço!
Cara, você já pensou em ter um negócio funcionando 24 horas por dia, hein? Uma adega autônoma que você instala nteo condomínio sem precisar de funcionários, entregando vinhos top na temperatura ideal? E o melhor, tudo controlado pelo celular, com margem de 80% por venda.
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Se olharmos o brasileiro com o olhar do antropólogo, encontramos suas raízes em um processo histórico que misturou três matrizes culturais — o europeu colonizador, o indígena e o africano escravizado — em um caldo onde nunca se consolidou plenamente um projeto coletivo de nação. O Brasil nasceu com a marca da exploração, da imposição de hierarquias e da ausência de um verdadeiro pacto social. Aqui, desde o começo, o que vale é o “se dar bem”, é sobreviver no jogo do mais esperto. Não se construiu entre nós aquela ética comunitária que você vê, por exemplo, em sociedades que enfrentaram séculos de associativismo, de resistência coletiva, como certos povos europeus ou asiáticos.
Quando a sociologia entra em cena, a gente vê mais ainda. O brasileiro é fruto de séculos de um Estado paternalista, centralizador, que nunca confiou no cidadão, e em troca nunca mereceu a confiança dele. Aprendemos que a responsabilidade pelo bem-estar é sempre do outro: do governo, do patrão, do vizinho, do “sistema”. O indivíduo brasileiro cresceu achando que pode — e deve — tirar vantagem de tudo, porque ninguém vai cuidar dele. O senso de coletividade é frágil. A ideia de retribuição justa, de que aquilo que você recebe merece uma contrapartida, foi engolida pela lógica do jeitinho: se eu posso levar sem pagar, melhor ainda, cara. Se eu posso consumir sem retribuir, sou esperto.
Há ainda o impacto de nossa pobreza educacional e cultural, resultado de um sistema que nunca formou cidadãos plenos. O brasileiro médio tem repertório limitado para compreender conceitos como bem comum, responsabilidade compartilhada, ética do reconhecimento. Não é porque seja pior que outros povos; é porque foi educado assim. Educado para obedecer ou burlar, mas raramente para se sentir parte do todo. Educado para consumir, mas não para construir.
E se você quer um símbolo, cara, olhe para nossas festas. O carnaval, o futebol, o churrasco no fim de semana. Momentos em que o brasileiro se irmana, sim — mas em torno do prazer imediato. Na hora do sacrifício coletivo, do esforço anônimo, da retribuição sem plateia… a irmandade evapora. Porque o que importa é a aparência. É o aplauso. É o benefício próprio.
Quando você oferece um conteúdo de valor e diz: “Retribua. Participe. Ajude a manter isso vivo”, o sujeito não entende como um convite ao pacto social. Ele entende como um incômodo. Porque na cabeça dele, quem tá certo é o que leva vantagem sem dar nada em troca. Isso é o Brasil que nos formou.
Mas tem um detalhe, cara: não é destino. Essa cultura é fruto de escolhas históricas, de práticas que se repetem e se perpetuam. E o que é criado pelo homem pode ser transformado pelo homem. Mas isso exige uma ruptura. Exige exemplo, exige educação, exige insistência.
Muito bem, se você é assinante do Café Brasil agora vem o conteúdo extra. Eu vou falar um pouquinho mais sobre virtude do ponto de vista aristotélico, cara, um texto muito legal que.. ih…cara… você não é assinante é? Então você não vai ouvir. Que pena! Assine o Café Brasil, vai…
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Como é que chegamos ao ponto de ver multidões pagando caro para assistir a shows de artistas sem voz, sem música, sem nada além de luzes, gritos e playback? Como é que milhões de seguidores se ajoelham diante de influencers que não têm nada a dizer, além de vender imagem, corpo, pose e consumo? Como é que o que é medíocre se torna referência, o que é raso se torna conteúdo, o que é lixo se torna sucesso?
O ser humano é, antes de tudo, um animal social que busca pertencimento. Pertencer ao grupo sempre foi, lá no fundo, uma questão de sobrevivência. E o que o grupo valoriza, o indivíduo corre para valorizar também. Em sociedades antigas, o grupo cultuava o caçador mais hábil, o ancião mais sábio, o guerreiro mais corajoso. Hoje, o grupo cultua quem oferece aquilo que o grupo deseja de verdade: distração fácil, prazer imediato, um espelho no qual a própria mediocridade não pareça feia. O superficial agrada porque não exige. O vazio faz sucesso porque não cobra reflexão. O óbvio é aplaudido porque não desafia, não confronta, não incomoda.
Essa tendência tem raízes no modelo de sociedade que construímos. Uma sociedade de consumo desenfreado, onde tudo precisa ser rápido, simples, fácil e descartável. Onde o valor das coisas é medido pela visibilidade, pela quantidade de likes, pela gritaria da plateia — nunca pela qualidade intrínseca. O medíocre faz sucesso porque ele se encaixa perfeitamente no ritmo da vida superficial. Uma música ruim, um cantor fraco, um influencer vazio — eles são o que são porque entregam o que o público, sem se dar conta, busca: anestesia. Ninguém quer ser provocado, desafiado, obrigado a pensar. Quer ser embalado por um refrão repetitivo, quer rir de uma piada fácil, quer admirar o corpo bonito do influencer e sonhar, por segundos, que aquilo é sucesso. E o mercado? O mercado apenas entrega o que as massas querem. Ou melhor: o que as massas foram treinadas a querer.
Tem outro elemento nesse fenômeno: o medo de ser excluído. O grupo todo está ouvindo aquela música pobre? O grupo todo está indo ao show vazio? O grupo todo está seguindo o influencer de plástico? Então eu também vou. Porque mais vale pertencer do que ser autêntico. E assim se forma o ciclo: o lixo é oferecido, o lixo é consumido, o lixo é celebrado, e logo vira o novo padrão do que é “bom”.
Mas cuidado, viu? Essa análise não serve como desculpa para a rendição. Ela serve como um alerta. Porque o mundo só muda quando alguém tem a coragem de sair da bolha. De rejeitar o óbvio, de desprezar o vazio, de apontar o superficial pelo que ele é: uma fraude brilhante. Cabe a quem enxerga essa engrenagem viciada oferecer algo melhor. Cabe a quem pensa — e a quem retribui — sustentar o que tem valor real. Cabe a quem ainda tem vergonha do medíocre dizer: basta. Porque enquanto o lixo for aplaudido, ele continuará a reinar.
Vamos então ao nosso merchan? O Café Brasil, você já sabe, a razão deste programa é isso, ele é uma produção independente, não tem ligação com sites poderosos, com milionários, com edito…não tem ninguém aqui pagando a conta, cara. Quem paga a conta aqui é nóis. Nóis com a sua ajuda. Nóis e ocê.
Sem você a gente não consegue ir muito longe. Você como ouvinte que dá valor ao que está acessando, que dá valor ao trabalho que a gente faz aqui, sabe que a gente faz com amor,com carinho, recebe, curte e dá valor, tem que virar assinante, cara! Tem que pular pra dentro aqui e contribuir mensalmente.
Uma pequena contribuição sua, somada com o do teu colega do lado, do outro, do outro, no fim ajuda a gente a continuar adiante aí.
E cara: a gente não tem visto o crescimento, pelo contrário, o volume de assinantes, cada dia que passa, fica mais difícil, mais complicado, é menos gente que entra, eu não sei o que está acontecendo. Talvez seja um recado.
Outro dia eu fiz um programa onde eu falei isso. Talvez seja um recado, cara. E o recado é aquele, da irrelevância. E não vale a pena gastar tempo, dinheiro, energia e anos de vida com a irrelevância.
Acabei de completar 69 anos, cara. É hora de eu julgar o que eu estou fazendo. Se a descoberta for que é a irrelevância, então, cara, o mil é o fim.
Vamos lá, vai: mundocafebrasil.com.
Não vai dar certo
Pedro Viáfora
Celso Viáfora
Sabe a sensação de que nunca essa porra
vai dar certo
a gente até faz direito
a gente até passa perto
e sai na cara do gol
a gente mata no peito
a gente dá nosso show
e chuta a bola no teto
a sensação de que sempre o amanhã
vai ser punk
porque a vida tá heavy
porque o mundo tá Trump
a gente pague o que der
os cara vem com uma verve
tira a gente do rank
a sensação de que sempre
vão furar nosso tanque
expulsar nosso breque
sabotar nosso arranque
pisar no nosso break
e eleger outra gangue
para fazer uma PEC
para sugar nosso sangue
sabe a sensação de que nunca essa porra
vai dar certo
é feita para dar defeito
para ficar em aberto
a coisa de dar um jeito
a edição de um decreto
a mancha do preconceito
a falta de um papo reto
a sensação de que sempre
vai ficar meio trash
falta grana pro lanche
falta vaga na creche
a gente paga no cash
e para sair do desmanche
tem que ter muito punch
o rebolar feito a Gretchen
a sensação de que tudo
é feito para dar um crec
para pagar a Selic
mais o juro do cheque
preparar um trambique
achar que a gente é moleque
um acrobata do Cirque
um ogro feito Shreck
sabe a sensação de que nunca essa porra
vai dar certo
o cara vende o conceito
e quando entrega o projeto
falta telha no teto
1 m de parapeito
1 kg a mais de cimento
para amarrar o concreto
a sensação de que sempre
vão tirar nosso pique
vai ter sempre um achaque
vai ter sempre um aplique
alguém fazendo um strike
a bola que sai no kit
um hacker no nosso site
um vírus no nosso link
a sensação de que sempre
o salário vai ser curto
porque teve um desconto
porque entrou um tributo
a gente dormiu no ponto
a gente caiu no conto
a gente é feito de tonto
um pouco a cada minuto
sabe a sensação de que nunca essa porra
vai dar certo
Cara! É assim então, ao som de “Não Vai Dar Certo”, composta por Pedro Viáfora e Celso Viáfora, uma música que virou um verdadeiro retrato crítico e bem-humorado do cotidiano brasileiro, que a gente saindo daqui, eu espero que incomodado.
Bicho: eu estou puto. Eu espero que você esteja incomodado.
“Não Vai Dar Certo” é uma composição que mistura ironia, ritmo marcante e um texto quase falado, no estilo do samba falado ou do repente urbano. Foi construída como uma sucessão de situações em que o sujeito tenta fazer as coisas acontecerem, mas sempre esbarra em obstáculos típicos do dia a dia no Brasil: burocracia, impostos, trambique, corrupção, desigualdade, os pequenos e grandes golpes que impedem o cidadão comum de progredir. É como um lamento ritmado, que provoca o ouvinte a rir de nervoso diante das verdades escancaradas.
Seria divertido se não fosse trágico….
Cara, o tempo do jeitinho está acabando. O Brasil que a gente sonha — aquele país decente, digno, onde vale a pena viver — não vai surgir como milagre, não. Não virá pronto. Não vai cair do céu. Vai ser construído por quem tem coragem de assumir a responsabilidade. Por quem entende que retribuir não é favor, não é caridade, não é ajudar. É obrigação moral. É o mínimo. Quer mudança, cara? Então seja a mudança. Você quer um país melhor? Comece por você. Pare de exigir o que não entrega. Pare de cobrar o que você não pratica. Retribua. Apoie. Participe. Porque enquanto a gente continuar esperando que os outros façam, enquanto a gente continuar achando que o problema são os outros, a única coisa que vai mudar é o tamanho do buraco onde estamos metidos.
Tá na hora de você decidir: vai continuar só ouvindo e assistindo ou vai entrar no jogo pra valer, hein?
mundocafebrasil.com é o lugar.
Tá entendido então? NÃO VAI DAR CERTO assim. Não vai dar certo enquanto a gente não entender que país decente se faz de baixo pra cima, com o esforço de cada um. Enquanto a gente não aprender a valorizar quem batalha por algo maior do que a própria vaidade. Enquanto a gente não tiver a coragem de investir naquilo que transforma — e não só naquilo que brilha na vitrine.
Tá na hora de escolher: a gente continua fingindo que o problema é dos outros, ou arregaça as mangas e começa a bancar de verdade quem tá tentando fazer diferença? A escolha é sua. A escolha é nossa. Porque o Brasil só vai dar certo quando a gente começar a dar certo como gente.
Pare de reclamar, cara e venha pro Café Brasil: mundocafebrasil.com.
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O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.
De onde veio este programa tem muito mais. E se você gosta do podcast, imagine só uma palestra ao vivo. Acabo de voltar de uma agora: Planejamento antifrágil, pro pessoal da Filtros Mann. Cara, que delícia! Olha, eu já tenho mais de mil e duzentas palestras no currículo. Conheça os temas que eu abordo no mundocafebrasil.com. Sempre no mundocafebrasil.com.
Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.
Para terminar, uma frase de quem? Friedrich Nietzsche:
“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar”.
